Se alguém ainda acreditava que o crime tinha limites, talvez seja hora de rever o conceito. Nem as abelhas escaparam. Mais de 10 mil foram levadas do Parque dos Pássaros, em um furto que conseguiu ser ao mesmo tempo improvável, meticuloso e, de certo modo, absurdamente simbólico, em Arapongas, no Paraná.
LEIA MAIS
- VÍDEO: Chuva forte alaga avenida Independência em Piracicaba
- VÍDEO: Atirador que "meteu bala" em empresário de Piracicaba é preso
O caso aconteceu no último dia 5 de março, mas foi divulgado somente nesta segunda-feira (16) pela prefeitura da cidade. Os ladrões até estouraram os cadeados. As caixas de madeira foram abertas com precisão, e os enxames — das espécies Jataí, Plebeia droryana e Mirim Preguiça — simplesmente desapareceram. Sem zumbido, sem testemunhas, sem pressa aparente. Um crime limpo. E curioso.
As abelhas faziam parte do projeto “Poliniza Paraná”, criado justamente para fortalecer a vida no ambiente. Em outras palavras, roubaram um esforço coletivo de preservar a própria natureza.
Sem câmeras de segurança, o parque virou cenário perfeito para o que especialistas suspeitam não ter sido improviso.Segundo a polícia, há indícios de que quem agiu, sabia exatamente o que estava fazendo — e o que estava levando.
Enquanto isso, o prejuízo vai além da contagem: menos abelhas significa menos polinização, menos equilíbrio, menos vida circulando discretamente entre flores que, agora, seguem trabalhando sem parte da equipe.
A investigação continua, mas a cidade já convive com a sensação de que algo saiu do lugar — e não foi só um cadeado.