Os preços internacionais do petróleo registraram alta nesta segunda-feira (9) e superaram a marca de US$ 119 por barril, patamar não observado desde 2022. A elevação ocorre após redução na oferta por parte de produtores e preocupações com interrupções no transporte marítimo em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Por volta das 9h15, os contratos futuros do petróleo Brent avançavam US$ 10,26, ou 11,1%, sendo negociados a US$ 102,95 por barril. Já os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiam US$ 10,14, ou 11,2%, alcançando US$ 101,04 por barril.
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Durante a sessão, o Brent chegou a atingir US$ 119,50 por barril, enquanto o WTI alcançou US$ 119,48. Segundo dados da LSEG, esse foi o maior aumento diário em termos absolutos para ambos os contratos.
Desde o último fechamento antes do início dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, o Brent acumula alta de 66%, enquanto o WTI registra aumento de 77%.
Os níveis observados nesta segunda-feira se aproximam das máximas registradas em 2008, quando os contratos de petróleo atingiram cerca de US$ 147 por barril, de acordo com dados históricos da LSEG disponíveis desde a década de 1980.
Mercado aponta redução na oferta
Indicadores do mercado também refletem a redução na oferta. O diferencial entre os contratos de Brent com entrega no primeiro mês e aqueles com vencimento em seis meses atingiu cerca de US$ 36, o maior valor já registrado desde 2004, segundo a LSEG.
O número supera o pico anterior, de aproximadamente US$ 23, registrado em março de 2022, nas primeiras semanas da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Esse movimento caracteriza uma estrutura conhecida como backwardation, situação em que os contratos com entrega imediata são negociados a preços superiores aos de prazos mais longos.
Outro fator acompanhado pelo mercado é a situação do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente. A passagem está praticamente interrompida.
A indicação de Mojtaba Khamenei como sucessor de Ali Khamenei no cargo de líder supremo do Irã também influenciou as cotações. O anúncio ocorreu uma semana após o início do conflito com Estados Unidos e Israel.
Especialistas do setor apontam que os impactos do conflito podem se estender por semanas ou meses. Instalações danificadas, dificuldades logísticas e riscos no transporte marítimo podem afetar o abastecimento mesmo após eventual redução das hostilidades.
Nos Estados Unidos, os contratos de gasolina atingiram cerca de US$ 3,22 por galão, o valor mais alto desde 2022. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o impacto sobre o custo de vida deve ser limitado antes das eleições de meio de mandato previstas para novembro.
Produtores reduzem extração
Empresas produtoras também iniciaram cortes na produção. Fontes do setor informaram que a Saudi Aramco começou a reduzir a extração em dois de seus campos petrolíferos.
Analistas haviam indicado na semana anterior que países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), incluindo os Emirados Árabes Unidos, poderiam reduzir a produção diante da limitação de capacidade de armazenamento.
No Iraque, a produção nos principais campos do sul do país foi reduzida em cerca de 70%, segundo fontes do setor, enquanto os estoques de petróleo bruto atingiram o limite de armazenamento.
A Kuwait Petroleum Corporation também anunciou cortes na produção no sábado e declarou situação de força maior para embarques. A empresa não informou o volume de produção afetado.
Pode faltar gasolina no Brasil?
No cenário atual, é pouco provável haver falta imediata de gasolina no Brasil.
Existem alguns motivos:
- O país produz petróleo em grande quantidade e possui refinarias que atendem boa parte da demanda interna, principalmente operadas pela Petrobras.
- A maior parte da gasolina consumida no país é produzida internamente, embora uma parcela ainda seja importada.
- A gasolina vendida no Brasil também contém etanol, o que reduz a dependência direta de gasolina pura.
Ou seja, o risco maior não é faltar combustível, mas o preço subir.
O que pode afetar o Brasil
O conflito internacional pode impactar o país de três formas principais:
Alta do petróleo no mercado internacional
Mesmo produzindo petróleo, o Brasil acompanha os preços globais. Quando o barril sobe, o custo de importação e produção também pode aumentar.
Dependência parcial de importações
O Brasil ainda importa parte dos combustíveis — cerca de 10% da gasolina e mais de 20% do diesel consumido.
Problemas logísticos globais
Se rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz forem afetadas, o transporte mundial de petróleo pode sofrer atrasos.