Um vídeo que circula nas redes sociais reacendeu o debate sobre os efeitos da água com gás no organismo. A publicação sugere que a bebida poderia elevar a pressão arterial em até 10 mmHg logo após o consumo e até servir como recurso emergencial para casos de desmaio. Mas afinal, isso procede?
A resposta exige contexto. Médicos explicam que existe, sim, uma elevação momentânea da pressão após a ingestão, porém o efeito é fisiológico, breve e não representa risco crônico à saúde.
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Por que a pressão pode subir?
Sempre que ingerimos líquidos, o corpo ativa reflexos automáticos ligados à deglutição. Esse mecanismo estimula o sistema nervoso simpático, responsável por respostas como aumento temporário da frequência cardíaca e da pressão arterial.
No caso da água com gás, alguns fatores podem intensificar discretamente essa reação:
- Carbonatação: o dióxido de carbono (CO?) liberado estimula terminações nervosas na boca e na garganta;
- Sensação das bolhas: o estímulo sensorial pode provocar leve vasoconstrição;
- Temperatura baixa: bebidas muito geladas tendem a potencializar essa resposta, seja com ou sem gás.
A elevação, no entanto, dura poucos minutos. Em seguida, os níveis retornam ao padrão habitual.
Um aumento de 10 mmHg é preocupante?
Variações nessa faixa podem acontecer em situações comuns do cotidiano, como estresse, prática de exercícios físicos ou emoções intensas. O que determina risco cardiovascular não é um pico isolado, mas sim o comportamento médio da pressão ao longo do tempo.
Especialistas reforçam que a maioria dos estudos sobre o tema envolve grupos pequenos de participantes, o que limita generalizações.
Hipertensos devem evitar?
Não há recomendação formal que proíba o consumo de água com gás por pessoas com hipertensão. A resposta observada é temporária e não altera a pressão de forma permanente.
Mesmo assim, pacientes com diagnóstico de pressão alta devem manter acompanhamento regular e medir a pressão em condições adequadas — em repouso e antes das refeições — para obter resultados mais confiáveis.
Conclusão
A afirmação de que água com gás seria “veneno” ou perigosa para o coração não encontra respaldo científico. O aumento da pressão pode acontecer, mas é passageiro e semelhante a outras reações naturais do organismo. Para a saúde cardiovascular, o mais importante continua sendo o controle regular e a avaliação da tendência da pressão no dia a dia, e não variações pontuais após o consumo de uma bebida.