Fevereiro é marcado por duas campanhas que transformaram o mês em um período de alerta à saúde: o Fevereiro Roxo e o Fevereiro Laranja. Criadas de forma independente, as iniciativas se uniram no calendário da conscientização e hoje mobilizam profissionais da saúde, gestores públicos e a sociedade para ampliar a informação sobre doenças crônicas e graves.
O roxo chama atenção para o Lúpus Eritematoso Sistêmico, a Fibromialgia e o Alzheimer. Já o laranja destaca a importância do diagnóstico precoce da Leucemia e incentiva a doação de medula óssea.
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Doenças crônicas que exigem atenção constante
O Lúpus é uma doença autoimune sistêmica, em que o próprio sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do corpo. Os sintomas podem variar bastante: de dores nas articulações e manchas na pele até inflamações em órgãos como rins, pulmões e coração. Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 65 mil brasileiros convivem com a doença.
A Fibromialgia, que atinge aproximadamente 3% da população brasileira, provoca dores musculares generalizadas, fadiga persistente, alterações no sono e dificuldades cognitivas, como lapsos de memória e sensação de “cabeça pesada”. O diagnóstico é clínico, feito a partir da avaliação médica, já que não há exame laboratorial específico para identificá-la.
No caso do Alzheimer, os primeiros sinais costumam envolver esquecimentos frequentes, desorientação e mudanças comportamentais. A doença é progressiva e compromete gradualmente funções cognitivas essenciais, exigindo suporte familiar e acompanhamento multiprofissional.
Embora não tenham cura, essas três doenças podem ser controladas com tratamento adequado, que inclui medicação, atividade física orientada, acompanhamento psicológico e mudanças no estilo de vida.
Leucemia e a importância da doação de medula
O Fevereiro Laranja direciona o olhar para a Leucemia, câncer que afeta as células sanguíneas produzidas na medula óssea. Os sintomas podem incluir cansaço excessivo, infecções frequentes, manchas roxas pelo corpo e sangramentos incomuns.
O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento. Em muitos casos, o transplante de medula óssea é a principal possibilidade de cura. Por isso, a campanha também busca incentivar o cadastro de doadores, ampliando as chances de compatibilidade para pacientes que aguardam na fila.
Em Piracicaba, quem deseja se cadastrar como doador de medula óssea pode procurar o Posto Piracicaba – Hemonúcleo, vinculado ao Hemocentro da Unicamp, localizado na Avenida Independência, 953, Bairro Alto. O voluntário precisa ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado de saúde e apresentar documento oficial com foto. No local, é feito o cadastro no REDOME (Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea) e coletada uma amostra de 10 ml de sangue para exame de compatibilidade genética (HLA). Caso seja identificado como compatível com algum paciente, o doador é chamado para exames complementares e orientações sobre o procedimento.
Avanços em direitos e serviços
Além da conscientização médica, o mês também evidencia avanços sociais. A regulamentação recente que reconhece a Fibromialgia como deficiência abriu caminho para que pacientes com comprometimento funcional tenham acesso a atendimento preferencial e outros direitos.
Em Piracicaba, a Prefeitura disponibiliza a Carteira de Identificação da Pessoa com Fibromialgia de forma digital, solicitada pelo Portal Sem Papel ou aplicativo Pira SUS. O documento garante atendimento prioritário e tem validade de cinco anos.
A ampliação do acesso à informação e aos direitos fortalece o enfrentamento dessas doenças, que muitas vezes são invisíveis aos olhos da sociedade, mas profundamente impactantes na rotina de quem convive com elas.