FISCALIZAÇÃO

VEJA quais são os indícios que fazem a RF monitorar suas contas

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Desde o início de 2026, instituições financeiras passaram a repassar à Receita Federal informações consolidadas sobre a movimentação bancária de pessoas físicas e jurídicas. O compartilhamento ocorre por meio do sistema e-Financeira e tem como objetivo principal cruzar dados financeiros com as declarações de Imposto de Renda.

A medida não significa cobrança automática de tributos nem análise individual de cada transação. O monitoramento ocorre com base em valores totais mensais informados pelas instituições.

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Quais valores entram no radar

O envio de dados acontece quando a movimentação mensal atinge determinados patamares:

  • Pessoas físicas: total de créditos ou débitos igual ou superior a R$ 5 mil no mês;
  • Pessoas jurídicas: movimentações a partir de R$ 15 mil mensais.

A Receita recebe apenas os valores globais de entradas e saídas, sem detalhamento de operações específicas, transferências via Pix ou identificação de quem enviou ou recebeu cada quantia.

O que pode despertar alerta

O principal foco do cruzamento está nas entradas de recursos. Quando os valores creditados em conta não condizem com a renda declarada ou não possuem origem comprovada, o sistema pode gerar inconsistências.

Entre os indícios que costumam chamar a atenção estão:

  • Depósitos frequentes sem justificativa formal;
  • Diferença significativa entre movimentação e rendimentos declarados;
  • Uso da conta pessoal para movimentar receitas da empresa;
  • Incompatibilidade entre faturamento e regime tributário adotado.

Caso sejam identificadas divergências, o contribuinte pode ser intimado a apresentar documentos que comprovem a origem dos valores. Na ausência de comprovação, podem ser aplicados impostos, multas e juros.

Mistura de contas exige cuidado

Um erro recorrente entre micro e pequenos empreendedores é utilizar a conta do CPF para transações do CNPJ. Essa prática dificulta o controle financeiro e pode gerar inconsistências no cruzamento de dados.

A separação clara entre finanças pessoais e empresariais é uma das principais recomendações para reduzir riscos fiscais.

O que não é irregularidade

Circulam nas redes sociais informações de que qualquer movimentação bancária seria automaticamente tributada, especialmente via Pix. A Receita esclarece que não existe imposto sobre Pix nem fiscalização individual de cada transferência.

Valores recebidos a título de empréstimo, venda de bens, reembolso ou transferências entre contas próprias não são considerados renda tributável, desde que haja documentação que comprove a operação.

Como evitar problemas com o Fisco

A orientação é manter organização financeira, guardar comprovantes e declarar corretamente todos os rendimentos. O cruzamento eletrônico de dados tornou o sistema mais eficiente, o que aumenta a importância de transparência e coerência nas informações prestadas.

Acompanhar eventuais mudanças nas regras fiscais também é fundamental para evitar surpresas e permanecer em conformidade com a Receita Federal.

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