A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganha força no Congresso em 2026, mas ocorre em um cenário de baixa produtividade. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que o Brasil ocupa a 94ª colocação entre 184 países e territórios analisados.
O levantamento considera o PIB dividido pelo total de horas trabalhadas, com valores ajustados por Paridade de Poder de Compra (PPC). O resultado mostra que o trabalhador brasileiro gera, em média, US$ 21,17 por hora trabalhada.
O desempenho coloca o país atrás de vizinhos sul-americanos. No Uruguai, a produtividade chega a US$ 38,00 por hora. Chile (US$ 34,39) e Argentina (US$ 33,81) também superam o índice brasileiro.
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Jornada não está entre as mais longas
Apesar da percepção de excesso de trabalho, o Brasil não figura entre as nações com maior carga horária semanal. A média nacional é de 38,9 horas por semana, o que posiciona o país apenas na 98ª colocação nesse ranking.
Em comparação, trabalhadores da China cumprem, em média, 46,1 horas semanais. Na Índia, a média é de 45,7 horas, enquanto México (42,2h) e Paraguai (41,6h) também apresentam jornadas mais extensas.
Por outro lado, economias altamente produtivas operam com menos horas trabalhadas. Alemanha (33,3h), Dinamarca (32,4h) e Estados Unidos (37,5h) mantêm cargas menores, sustentadas por alto nível tecnológico e eficiência produtiva.
Distância para as grandes economias
A diferença é ainda mais evidente quando comparada ao G7. A média de produtividade do grupo é de US$ 74,57 por hora, mais que o triplo da brasileira.
Os Estados Unidos lideram com US$ 81,80, enquanto o Japão, último entre as maiores economias industrializadas, registra US$ 52,71, ainda mais que o dobro do índice do Brasil.
A China aparece com produtividade ligeiramente inferior à brasileira, em US$ 20,59 por hora, mas compensa com maior carga horária média e enorme escala populacional.
PEC da 6x1 avança no Congresso
A Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça em fevereiro de 2026. A expectativa é que o texto avance para votação ainda neste ano.
A proposta prevê a limitação da jornada para cinco dias de trabalho por dois de descanso, com discussões que incluem até a possibilidade de uma semana 4x3.
O tema se insere em um contexto político mais amplo, no qual medidas trabalhistas e tributárias vêm sendo apresentadas como estratégias para ampliar apoio popular.
O impasse econômico
Especialistas alertam que a redução da jornada exige aumento de eficiência para evitar impactos sobre custos e preços. Com produtividade já considerada baixa, qualquer diminuição nas horas trabalhadas sem ganhos de desempenho pode afetar a competitividade do país.
O debate sobre a escala 6x1, portanto, ultrapassa a organização da rotina laboral. Ele coloca em pauta o desafio estrutural da economia brasileira: produzir mais, com melhor qualidade e maior valor agregado, para sustentar crescimento e renda no longo prazo.