CARNAVAL PIRACICABA

Bloco 'Baque Caipira' celebra Mamãe África no domingo (8); VEJA

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Acervo Baque Caipira
Mamãe África, Dona Odette Martins Teixeira, 92 anos, é patrimônio vivo da cultura negra e da história de Piracicaba.
Mamãe África, Dona Odette Martins Teixeira, 92 anos, é patrimônio vivo da cultura negra e da história de Piracicaba.

O pré-carnaval de Piracicaba será marcado por memória, ancestralidade e celebração da cultura negra neste domingo (8). O Bloco Baque Caipira realiza seu tradicional cortejo pelas ruas do Centro com o tema “Mamãe África – A Imperatriz da Cultura”, homenageando Dona Odette Martins Teixeira, uma das figuras mais emblemáticas da história cultural da cidade.

A concentração acontece a partir das 15h, na Praça Doutor Tibiriçá, com saída do cortejo às 16h. O evento é gratuito e livre para todos os públicos.

VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Fundado em 2013, o Baque Caipira completa 13 anos de trajetória e escolheu celebrar a vida e a sabedoria ancestral de Mama África, nascida em 1933, na rua Riachuelo. Aos 92 anos, Dona Odette segue inspirando gerações com sua elegância, vitalidade e força simbólica, sendo reconhecida como batuqueira do Batuque de Umbigada, carnavalesca, atleta de alto rendimento e referência viva da cultura popular piracicabana.

Ela foi uma das fundadoras do tradicional bloco Voz do Morro, criado na rua Riachuelo, e teve sua importância reconhecida por diversas escolas de samba da cidade, como Portela, Zum Zum, Caxanga, Ekperalta, União da Vila e Estrela de Prata. No esporte, elevou o nome de Piracicaba e do XV de Piracicaba ao figurar no 1º lugar do ranking sul-americano 90+ de atletismo e no 4º lugar do ranking mundial.

O apelido Mamãe África nasce de sua presença forte, acolhedora e ancestral, ligada às matrizes africanas da cultura brasileira. Em 2009, ela foi convidada para participar do plantio de um Baobá na Praça da Saudade, durante cerimônia do Dia da Consciência Negra. Conhecida como “Árvore da Vida”, a espécie africana simboliza resistência, espiritualidade e memória, valores que também atravessam a trajetória de Dona Odette.

Percurso que atravessa a história da cidade

O cortejo percorre locais simbólicos da presença negra e indígena em Piracicaba. A Praça Tibiriçá, ponto de partida, é um antigo cemitério de negros escravizados. Em seguida, o bloco passa pela Igreja de São Benedito, patrimônio histórico da comunidade negra da cidade.

O local também carrega uma memória pessoal marcante de Mama África. Ainda criança, na década de 1930, Dona Odette saiu vestida de anjo em uma procissão da igreja, como forma de agradecimento ao Santo Preto por tê-la protegido de um ataque de uma cobra jararacuçu, episódio que marcou sua infância.

O percurso termina no Largo dos Pescadores, território ancestral dos povos indígenas paiaguás e rota histórica de fuga de pessoas escravizadas. A chegada está prevista para 18h, quando a festa continua com a discotecagem da DJ Paina.

Ritmo, corte real e identidade afro-caipira

Conduzido pelas batidas do maracatu de baque virado, o cortejo reúne cerca de 40 batuqueiras e batuqueiros, tocando instrumentos como agbês, ganzás, alfaias, caixas e gonguê. O desfile também conta com uma corte real, inspirada nas tradições pernambucanas, mas recriada a partir da identidade afro-caipira do interior paulista.

Entre os personagens estão porta-estandarte, dama do paço, baianas, caboclos, lanceiros, catirinas, trabalhadores rurais, orixás e a realeza. O rei do cortejo é Pedro Soledade, representante do Batuque de Umbigada; a rainha é Ediana, do Samba de Lenço; a princesa é Mayra Kristina Camargo, do Hip Hop; o príncipe, Bira; e o embaixador, Antonio Filogenio Junior.

Realizado pelo Baque Caipira e pelo Coletivo de Blocos, o evento conta com apoio da Prefeitura de Piracicaba, Piracerva e Escola Morais Barros. Mais do que uma festa, o cortejo reafirma que Piracicaba é um território vivo, onde cultura, memória e ancestralidade seguem pulsando nas ruas.

Comentários

Comentários