PAIS E FILHOS

VEJA por que deixar os filhos se frustrarem é um ato de amor

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
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Aprender a lidar com frustrações desde cedo ajuda a criança a compreender que o mundo não funciona sempre de acordo com seus desejos.
Aprender a lidar com frustrações desde cedo ajuda a criança a compreender que o mundo não funciona sempre de acordo com seus desejos.

A ideia de proteger os filhos de qualquer sofrimento ainda é comum em muitas famílias. No entanto, especialistas em desenvolvimento infantil alertam que eliminar todas as frustrações do cotidiano pode comprometer a formação emocional das crianças. O contato com limites, negativas e dificuldades é um componente essencial do amadurecimento.

Aprender a lidar com frustrações desde cedo ajuda a criança a compreender que o mundo não funciona sempre de acordo com seus desejos, e que isso faz parte da vida em sociedade.

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O excesso de proteção e seus efeitos

Quando adultos resolvem todos os problemas dos filhos, evitam conflitos ou antecipam soluções, acabam transmitindo uma mensagem silenciosa: a de que a criança não é capaz de lidar com desafios sozinha. Esse padrão pode impactar diretamente a autoconfiança e a autonomia.

Pesquisas na área da psicologia apontam que crianças criadas sob forte superproteção tendem a apresentar maior insegurança, dificuldade de tomar decisões e menor tolerância à frustração ao longo da vida.

Errar também ensina

Situações simples, como perder um jogo, receber uma nota abaixo do esperado ou lidar com um “não”, funcionam como experiências práticas de aprendizado emocional. Nessas ocasiões, a criança exercita persistência, autocontrole e capacidade de adaptação.

Ao enfrentar consequências naturais de suas escolhas, ela aprende que erros não definem quem ela é, mas fazem parte do processo de crescimento. Esse aprendizado fortalece a autoestima e a sensação de competência.

O papel dos pais nesse processo

Permitir frustrações não significa ausência de cuidado. Pelo contrário: exige atenção, escuta e acompanhamento. O papel dos pais está em orientar, acolher sentimentos e ajudar a criança a refletir sobre o que aconteceu, sem intervir de forma imediata ou excessiva.

Valorizar o esforço, mais do que o resultado final, contribui para a construção de uma mentalidade mais saudável, focada em aprendizado e evolução.

Limites claros fortalecem a autonomia

Estabelecer regras e consequências coerentes ajuda a criança a entender responsabilidades e escolhas. Limites previsíveis oferecem segurança emocional e permitem que os filhos desenvolvam senso crítico e autonomia de forma gradual.

Ambientes familiares que estimulam o diálogo e a reflexão favorecem o desenvolvimento da inteligência emocional e da capacidade de resolver problemas.

Preparação para a vida adulta

Em um mundo marcado por mudanças constantes, a verdadeira proteção não está em evitar dificuldades, mas em preparar as crianças para enfrentá-las. Aprender a lidar com frustrações desde cedo contribui para a formação de adultos mais resilientes, seguros e emocionalmente equilibrados.

Deixar os filhos se frustrarem, quando feito com cuidado e consciência, é uma forma profunda de amor: aquela que prepara para a vida real, e não apenas para a infância.

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