SAÚDE

Estudo mostra como Alzheimer desorganiza memórias durante repouso

Por Will Baldine | Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Camila Rosa/Viva Bem
Segundo o estudo, o processo responsável por reorganizar experiências recentes e fixar lembranças ocorre de forma desordenada na presença da doença
Segundo o estudo, o processo responsável por reorganizar experiências recentes e fixar lembranças ocorre de forma desordenada na presença da doença

Uma pesquisa realizada por cientistas da University College London (UCL), no Reino Unido, indica que parte das alterações de memória associadas ao Alzheimer pode ter início durante períodos de repouso do cérebro. Segundo o estudo, o processo responsável por reorganizar experiências recentes e fixar lembranças ocorre de forma desordenada na presença da doença.

Saiba Mais:

O trabalho foi publicado na quinta-feira (29) na revista científica Current Biology e utilizou camundongos geneticamente modificados para desenvolver placas amiloides, estruturas associadas ao Alzheimer. Os pesquisadores analisaram como essas placas interferem na atividade cerebral relacionada à formação da memória.

De acordo com a equipe, o Alzheimer está ligado ao acúmulo de proteínas no cérebro, o que resulta em sintomas como perda de memória e dificuldade de orientação. O objetivo do estudo foi observar como a função das células cerebrais se altera ao longo do desenvolvimento da doença.

Durante o repouso, o cérebro costuma repetir padrões de atividade relacionados a experiências recentes, mecanismo considerado importante para a consolidação das memórias. Esse processo ocorre principalmente no hipocampo, região envolvida no aprendizado e na navegação espacial. Neurônios conhecidos como células de lugar são ativados em sequências específicas enquanto o indivíduo se desloca por um ambiente, e essas sequências costumam ser reproduzidas posteriormente em momentos de descanso.

No experimento, os pesquisadores monitoraram camundongos enquanto percorriam um labirinto simples. A atividade de aproximadamente 100 células de lugar foi registrada por meio de eletrodos, permitindo a comparação entre animais saudáveis e aqueles com placas amiloides.

Nos camundongos com alterações associadas ao Alzheimer, os eventos de repetição cerebral continuaram ocorrendo, mas sem manter a organização observada nos animais sem a doença. As sequências de atividade perderam a estrutura necessária para representar corretamente as experiências vividas, o que dificultou a consolidação das memórias. Também foi observada instabilidade na atividade dos neurônios ao longo do tempo.

Essa alteração no funcionamento cerebral refletiu no comportamento dos animais, que apresentaram dificuldades para completar o labirinto e repetiram trajetos já percorridos anteriormente.

Segundo os autores, a identificação dessa falha pode contribuir para a detecção do Alzheimer em fases iniciais e orientar o desenvolvimento de abordagens terapêuticas voltadas à reorganização da atividade neuronal no hipocampo. O grupo também investiga a possibilidade de influenciar esse mecanismo por meio da acetilcolina, neurotransmissor já utilizado em tratamentos atuais para a doença.

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