Desde 2024 era mais uma briga de condomínio, mas terminou em um crime brutal que chocou o Brasil. Depois de mais de 40 dias de mistério, a Polícia Civil encontrou o corpo da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, jogado em uma área de mata em Caldas Novas. O autor? O síndico do prédio onde ela morava. Preso. E pior: com o próprio filho.
Daiane desapareceu depois de descer ao subsolo do prédio para checar um novo corte de energia no dia 17 de dezembro .Ela nunca mais voltou.
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Daiane não era uma moradora qualquer do prédio. Corretora de imóveis, administrava seis apartamentos da própria família no condomínio. Desde 2024, travava uma guerra aberta com o síndico, Cléber Rosa de Oliveira.
Foram anos de denúncias, boletins de ocorrência, processos judiciais e acusações graves. A corretora afirmava viver sob perseguição: energia cortada, água interrompida, gás desligado, internet suspensa. Segundo ela, tudo como forma de intimidação.
O caso foi parar na Justiça e o Ministério Público chegou a denunciar o síndico por perseguição. O clima no prédio era de tensão constante.
Era noite de 17 de dezembro quando o apartamento de Daiane ficou novamente sem energia. Irritada, mas confiante de que resolveria rápido, ela fez o que qualquer morador faria: pegou o celular, gravou vídeos mostrando o problema e avisou uma amiga que iria até o subsolo verificar.
As câmeras registraram tudo: Daiane entrou no elevador, passou pela portaria, reclamou da falta de luz e desceu para o subsolo.Depois disso, silêncio absoluto.
Não há imagens dela saindo do prédio, nem imagens dela voltando para casa. Também não foram encontrados sinais de luta registrados naquele momento. A porta do apartamento ficou aberta, o celular mudo e nenhum rastro foi deixado.
Daiane saiu do apartamento como quem vai e volta em minutos. Mas ela nunca voltou. No dia seguinte, a mãe chegou ao prédio para um encontro combinado e não encontrou a filha. A porta, antes aberta, estava trancada e o celular não chamava. Sem nenhuma movimentação bancária e retorno dos contatos, o desaparecimento virou caso policial.
Após semanas de investigação, a verdade veio à tona da forma mais cruel, na manhã desta quarta-feira (28), 47 dias depois. Após um trabalho minucioso da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, o cerco se fechou e o próprio síndico levou a polícia até o local onde o corpo estava escondido, em uma área de mata.
O corpo de Daiane foi encontrado em avançado estado de decomposição. Cléber foi preso na hora. O filho dele, Maykon Douglas, também acabou detido, suspeito de participação no crime.
Em depoimento, o síndico afirmou que matou Daiane após uma discussão no subsolo. Disse que agiu sozinho, colocou o corpo na carroceria da picape e saiu do condomínio naquela noite. Mas a versão não bate.
Inicialmente, ele disse que não tinha saído do prédio. Só que as câmeras mostram outra coisa: o síndico deixou o condomínio por volta das 20h, dirigindo exatamente o veículo citado. A polícia agora investiga o papel do filho e se houve ajuda para ocultar o corpo.
A Polícia não descarta um crime planejado.Para os investigadores, pode não ter sido por acaso. A principal linha aponta que o corte de energia foi a armadilha perfeita para atrair Daiane ao subsolo — um local sem testemunhas, com falhas no monitoramento e totalmente conhecido pelo síndico.
A investigação continua e novas prisões não estão descartadas. A perícia ainda vai apontar a causa exata da morte.
Na tarde de hoje, populares e familiares revoltados quebraram objetos no condomínio. O apartamento do síndico chegou a ser invadido.