Letalidade elevada acende alerta internacional
O surgimento recente de novos casos do vírus Nipah na Índia reacendeu o alerta de autoridades de saúde e levantou uma pergunta inevitável: existe risco de um surto maior de uma doença altamente letal e ainda sem vacina? Apesar de o governo indiano afirmar que a situação está sob controle, o histórico do vírus e seu potencial de gravidade colocam a infecção no radar global.
De acordo com autoridades sanitárias, dois casos confirmados no estado de Bengala Ocidental foram rapidamente isolados, com rastreamento rigoroso de contatos. A ação precoce evitou, até o momento, uma disseminação mais ampla. Ainda assim, países vizinhos adotaram protocolos preventivos, especialmente em aeroportos e fronteiras.
O que é o vírus Nipah e por que ele assusta
Identificado pela primeira vez no fim da década de 1990, o vírus Nipah é transmitido principalmente por animais, como morcegos e porcos, além de alimentos contaminados. A transmissão entre humanos pode ocorrer, mas exige contato próximo e prolongado, o que reduz a velocidade de propagação.
O maior motivo de preocupação é a taxa de mortalidade, estimada entre 40% e 75%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse índice coloca o Nipah entre os vírus mais letais já monitorados, superando inclusive o coronavírus em gravidade clínica.
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Sintomas iniciais podem confundir diagnóstico
Especialistas explicam que os primeiros sinais da infecção costumam ser inespecíficos, semelhantes aos de uma gripe comum. Febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos estão entre os sintomas iniciais. Em casos mais avançados, podem surgir dificuldades respiratórias, alterações neurológicas, convulsões e inflamação cerebral, com risco de coma.
O período de incubação geralmente varia entre quatro e 14 dias, mas há registros que apontam intervalos maiores, o que exige atenção redobrada das equipes de vigilância.
Sem vacina, tratamento é apenas de suporte
Atualmente, não existe vacina nem medicamento específico contra o vírus Nipah. O tratamento disponível é focado no alívio dos sintomas e no controle das complicações, o que reforça a importância da detecção precoce e do isolamento rápido dos casos.
Entrevistados ouvidos por autoridades de saúde destacam que a ausência de transmissão assintomática facilita o monitoramento, já que pacientes infectados costumam apresentar sintomas claros, permitindo respostas mais rápidas.
Países reforçam vigilância e triagem
Mesmo sem registros fora da Índia, diversas nações asiáticas intensificaram medidas de prevenção. Aeroportos passaram a adotar monitoramento de temperatura, formulários de saúde e observação clínica de passageiros provenientes de áreas afetadas.
Governos também recomendaram cautela em viagens não essenciais, reforçaram estoques de insumos médicos e ampliaram a capacidade de testagem, aprendizados herdados da pandemia de Covid-19.
Histórico mostra surtos localizados, mas perigosos
Desde sua identificação, o vírus Nipah causou surtos esporádicos, principalmente no Sudeste Asiático. Na Índia, episódios anteriores já resultaram em dezenas de mortes, como o registrado em Kerala, em 2018. Até hoje, não há registros da doença em humanos na Europa.
Para especialistas, uma pandemia é considerada improvável neste momento, mas o risco nunca é descartado. Por isso, o Nipah integra a lista da OMS de doenças prioritárias para pesquisa, ao lado de vírus como Ebola e Zika, devido ao seu potencial epidêmico.
Tecnologia e vigilância como principais defesas
Sem vacina disponível, a principal arma contra o Nipah continua sendo a vigilância epidemiológica, aliada à informação e à cooperação internacional. Autoridades reforçam que respostas rápidas, transparência de dados e conscientização da população são fundamentais para evitar que surtos localizados se transformem em crises globais.