A recente eliminação da atriz Aline Campos no último paredão do Big Brother Brasil 26 reacendeu um debate que vai além do entretenimento e invade o campo da estética e da saúde mental. Nas redes sociais, a artista chamou atenção por estar visualmente diferente, o que gerou críticas e comentários sobre sua aparência atual após procedimentos estéticos, especialmente a harmonização facial.
Diante da repercussão, o JP ouviu especialistas para explicar como funciona a harmonização facial, quais são seus objetivos reais e quais cuidados devem ser levados em consideração antes de optar pelo procedimento.
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O que é harmonização facial e qual sua proposta
A biomédica esteta Fernanda Anholeto, que atua na aplicação desses procedimentos, explica que a harmonização facial não tem como finalidade transformar um rosto, mas equilibrar traços e suavizar sinais do tempo. Segundo ela, o foco está em promover simetria e proporção facial, podendo envolver preenchimento labial, redução de papada, suavização de linhas de expressão e arredondamento do rosto.
Fernanda reforça que o principal objetivo é alcançar um resultado natural. “A intenção da harmonização é realçar a beleza individual, não criar um rosto padronizado”, afirma.
Avaliação individual é essencial
De acordo com a biomédica, o processo começa sempre com uma avaliação detalhada. Na primeira consulta, o paciente é orientado a levar uma foto de quando se sentia mais satisfeito com sua aparência, o que ajuda o profissional a entender expectativas. No entanto, Fernanda faz um alerta importante: o procedimento não garante que o resultado será idêntico à imagem apresentada, já que não se trata de uma cirurgia plástica, mas de intervenções minimamente invasivas.
Ela destaca ainda que os procedimentos apenas buscam melhorar aspectos específicos desejados pelo paciente, respeitando limites anatômicos e biológicos.
Influência de padrões irreais e impactos emocionais
A psicóloga especialista em saúde mental Amanda Della Muta chama atenção para o papel da indústria da beleza na construção de padrões estéticos inatingíveis. Segundo ela, muitas mulheres acabam sendo afetadas emocionalmente ao tentar se enquadrar em modelos irreais, enquanto o mercado lucra com essa insatisfação constante.
Na mesma linha, Fernanda Anholeto denuncia que celebridades e influenciadores frequentemente promovem procedimentos estéticos em troca de dinheiro, influenciando pessoas que, muitas vezes, não têm indicação real para realizá-los.
Por isso, Fernanda afirma que seu atendimento é totalmente personalizado e exige exames prévios. “Cada organismo reage de forma diferente. Não existe protocolo padrão”, explica. Ela também recomenda que a harmonização seja feita gradualmente, respeitando o tempo de adaptação do corpo e avaliando os resultados etapa por etapa.
Harmonização externa e conflitos internos

A psicanalista com especialização em fundamentos psicanalíticos Sarah Amstalden amplia o debate ao questionar se a busca por mudanças externas pode refletir uma desarmonização interna. Para ela, decisões relacionadas à aparência nem sempre são plenamente conscientes e podem estar ligadas a conflitos emocionais mais profundos.
Sarah destaca que acreditar que a estética é capaz de resolver problemas internos é uma visão simplista. “Se a boa aparência garantisse bem-estar, pessoas consideradas bonitas não sofreriam adoecimento psíquico”, afirma. Segundo a especialista, a promessa de autoestima imediata pode funcionar como uma anestesia emocional, afastando o indivíduo de reflexões mais profundas sobre si mesmo.
Ela cita a teoria do “falso self”, do psicanalista Donald Winnicott, que explica que, quando não há espaço para autenticidade, o indivíduo constrói uma versão de si baseada no que acredita que os outros esperam. Com o reforço constante das redes sociais, padrões de beleza e consumo acabam intensificando sentimentos de inadequação e incompletude.
Para Sarah, recorrer a procedimentos estéticos pode ser uma solução rápida para o sentimento de não pertencimento, mas não substitui o enfrentamento das próprias questões internas. O limite entre o saudável e o patológico, segundo ela, está na frequência, na quantidade e, principalmente, na motivação. Insatisfação constante e mudanças repetidas podem indicar que o problema não está no rosto, mas na forma como a pessoa se percebe.
Reflexão antes da decisão
A psicanalista reforça a importância da reflexão antes de qualquer intervenção estética. Para ela, é fundamental considerar as consequências emocionais, já que muitos procedimentos são irreversíveis. “É preciso pensar se a pessoa conseguirá se reconhecer no espelho após a mudança — e isso nem sempre acontece”, alerta.
Segundo a especialista, o processo de reversão pode ser complexo, como também aponta a biomédica Fernanda Anholeto, o que torna ainda mais necessária uma decisão consciente.
Sarah propõe uma reflexão: até que ponto a harmonização facial contribui para a autoestima e em que momento pode se tornar algo patológico? Para ela, conversar, buscar orientação profissional e refletir sobre os próprios motivos são passos essenciais para cuidar do corpo e da saúde mental.
Cuidados após a harmonização facial
Por fim, a biomédica destaca que os cuidados pós-procedimento são fundamentais para garantir bons resultados e evitar complicações. Entre as principais recomendações estão:
- Evitar exercícios físicos por três dias
- Não se expor ao sol
- Evitar o uso de maquiagem,
- Realizar massagens específicas
- Manter uma boa hidratação com ingestão adequada de água
- Adotar uma alimentação saudável, sempre conforme orientação profissional.