O tratamento da apneia do sono pode estar diante de um novo cenário. Um medicamento já conhecido no combate à obesidade passou a mostrar resultados expressivos também na redução dos episódios de interrupção da respiração durante o sono. Trata-se do Mounjaro, à base de tirzepatida, aprovado pela Anvisa em outubro de 2025 para adultos obesos com apneia do sono.
A novidade é sustentada por um estudo internacional publicado em 2024 no The New England Journal of Medicine, que acompanhou 469 pacientes em seis países ao longo de um ano. Os dados indicam avanços relevantes tanto na qualidade do sono quanto na saúde geral dos participantes.
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Resultados que chamam atenção
Segundo a pesquisa, pessoas tratadas com tirzepatida apresentaram uma queda média de 27 a 30 eventos de apneia por hora, enquanto o grupo que recebeu placebo teve redução bem menor, entre 5 e 6 episódios. Para a otorrinolaringologista Nathalia Campos, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), os números representam um ganho clínico importante.
“Em mais da metade dos casos, os pacientes atingiram critérios de sucesso, e cerca de 42% passaram a ter apneia leve ou praticamente ausente após 52 semanas”, explica.
Impacto além do sono
Os benefícios não se limitaram à respiração noturna. A perda de peso foi um dos principais fatores associados à melhora do quadro. Os participantes eliminaram, em média, entre 17 e 20 quilos durante o período analisado.
A nutróloga Thayná Santiago destaca que esse emagrecimento refletiu diretamente na saúde cardiovascular. “Houve melhora da pressão arterial, redução de marcadores inflamatórios e menor risco de doenças do coração”, afirma. De acordo com ela, o medicamento atua no aumento da saciedade, favorecendo um controle alimentar mais sustentável.
Para quem o medicamento é indicado?
Apesar dos resultados promissores, o uso do Mounjaro não é universal. As especialistas reforçam que a indicação é voltada a pacientes com obesidade associada à apneia moderada ou grave.
Gestantes, lactantes, pessoas com apneia leve ou histórico de câncer de tireoide não devem utilizar o medicamento. “Cada caso precisa ser avaliado individualmente, porque a resposta ao tratamento varia”, ressalta Nathalia.
Possíveis efeitos adversos
Como todo medicamento, a tirzepatida pode provocar reações. Entre as mais relatadas estão náuseas, diarreia, constipação e dor de cabeça. Alguns pacientes também mencionam queda de cabelo, geralmente relacionada à perda rápida de peso.
“As reações costumam ser manejáveis, desde que haja acompanhamento médico e multiprofissional”, pontua Thayná. O seguimento adequado é essencial para garantir segurança e manutenção dos benefícios ao longo do tempo.
Um novo caminho no combate à apneia
Tradicionalmente tratada com CPAP, dispositivos intraorais ou cirurgia, a apneia do sono passa a contar, pela primeira vez, com um medicamento aprovado especificamente para esse fim.
“Estamos diante de uma mudança importante no manejo da doença, com base em evidências científicas robustas”, avalia Nathalia. Para Thayná, a chegada do Mounjaro amplia as possibilidades de um tratamento mais personalizado. “É um avanço que pode melhorar de forma significativa a qualidade de vida dos pacientes”, conclui.