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Ozempic e Mounjaro podem cortar efeito do anticoncepcional? VEJA

Por Bia Xavier - JP |
| Tempo de leitura: 2 min
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O avanço do uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, trouxe resultados expressivos no controle do peso — e também uma nova preocupação entre mulheres em idade fértil: essas canetas podem comprometer a eficácia do anticoncepcional oral?

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A dúvida não é infundada. Dados analisados em estudos acadêmicos com base em buscas públicas do Google Trends, indexados no PubMed, mostram um crescimento consistente no interesse por esses medicamentos nos últimos anos. Com mais usuárias, cresce também a necessidade de esclarecer riscos, interações e orientações médicas.

Por que surgiu a desconfiança?

Esses medicamentos atuam diretamente no sistema digestivo. Ao retardarem o esvaziamento do estômago, podem alterar o tempo e a forma como substâncias ingeridas por via oral são absorvidas — incluindo hormônios presentes nas pílulas anticoncepcionais.

Essa característica levantou o alerta entre especialistas, levando a estudos clínicos e revisões nas bulas oficiais dos medicamentos.

Ozempic e Wegovy: o que dizem os estudos

Ozempic e Wegovy têm como princípio ativo a semaglutida, um agonista do GLP-1 usado no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Um estudo publicado no Journal of Clinical Pharmacology avaliou a interação da semaglutida com anticoncepcionais orais combinados.

O resultado foi tranquilizador: não houve redução clinicamente relevante na absorção dos hormônios contraceptivos. Essa conclusão é reforçada pelas bulas aprovadas tanto pela FDA quanto pela Anvisa, que não apontam a necessidade de ajustes ou métodos adicionais para quem usa anticoncepcional oral junto à semaglutida.

Mounjaro exige atenção redobrada

A situação muda quando o assunto é o Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida. Nesse caso, as próprias bulas alertam para uma possível redução temporária da absorção de anticoncepcionais orais, especialmente:

  • no início do tratamento;
  • após cada aumento de dose.

Por isso, a recomendação oficial é clara: utilizar um método contraceptivo adicional ou não oral por pelo menos quatro semanas após o início do uso ou após qualquer ajuste de dosagem.

O que orientam os especialistas

Entidades médicas brasileiras reforçam que a escolha do método contraceptivo deve considerar o tipo de caneta utilizada. Entre as principais orientações estão:

  • Mulheres em uso de semaglutida podem manter a pílula anticoncepcional, desde que acompanhadas por um médico;
  • Usuárias de tirzepatida devem evitar depender exclusivamente do anticoncepcional oral, associando métodos de barreira ou optando por alternativas não orais;
  • Métodos de longa duração, como DIU e implantes contraceptivos, são considerados mais seguros nesse contexto, pois não dependem da absorção pelo trato gastrointestinal.

Informação evita riscos

Apesar do sucesso das canetas emagrecedoras, especialistas reforçam que nenhum medicamento deve ser usado sem orientação médica, especialmente quando há risco de interação com métodos contraceptivos. O acompanhamento profissional é essencial para ajustar o tratamento, prevenir falhas e garantir segurança reprodutiva.

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