A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi formalmente provocada a intervir na caminhada organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao longo da BR-040. A mobilização, divulgada como uma “marcha rumo a Brasília”, tem como pano de fundo a defesa da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido na superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
Pedido de intervenção e alegações de irregularidades
A solicitação partiu dos deputados federais Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ), que protocolaram representação pedindo providências imediatas. Segundo eles, a mobilização não teria sido comunicada previamente aos órgãos responsáveis, o que violaria normas de segurança viária e colocaria em risco tanto os participantes quanto motoristas que trafegam pela rodovia.
Os parlamentares sustentam que integrantes do grupo estariam caminhando pela pista de rolamento, e não apenas pelo acostamento, além de apontarem pousos e decolagens de helicópteros sem autorização, o que configuraria infração grave. Para os autores da ação, a PRF e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não podem se omitir diante da situação.
VEJA MAIS
- Vereadores de Piracicaba vão à caminhada de Nikolas Ferreira
- VÍDEO: Nikolas continua caminhada e diz protestar por justiça
- Bolsonaristas apoiam marcha de Nikolas contra condenações do 8/1
- Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real.
Críticas ao formato da mobilização
Rogério Correia afirmou que a marcha ocorre de forma irregular e compromete a segurança pública. Ele comparou o ato a outras mobilizações já realizadas no país, ressaltando que manifestações em rodovias costumam ser previamente acertadas com as autoridades. Na avaliação do deputado, o objetivo político do grupo não justifica o descumprimento das regras.
Lindbergh Farias reforçou o argumento, destacando a existência de imagens que mostram participantes circulando pela via principal. Ele também criticou o uso de helicópteros para deslocamento de parlamentares, classificando a logística como incompatível com a narrativa de sacrifício pessoal divulgada pelos organizadores.
Percurso e hospedagem em hotel de alto padrão
Nikolas Ferreira iniciou a caminhada na segunda-feira (19), partindo de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, com destino a Brasília. O trajeto total divulgado soma cerca de 240 quilômetros e vem sendo amplamente explorado nas redes sociais do deputado e de seus aliados.
Durante o percurso, no entanto, o parlamentar interrompeu a caminhada para se hospedar em um hotel de alto padrão em Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. Segundo sua equipe, a parada teria como finalidade a recuperação física após dias de esforço. A hospedagem reacendeu críticas sobre a autenticidade do trajeto percorrido a pé e sobre o apoio logístico envolvido na mobilização.
Presença de aliados e reação política
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) foi visto no mesmo hotel em que Nikolas Ferreira ficou hospedado, após acompanhar parte da caminhada. A presença do aliado reforçou a repercussão política do ato, que já vinha sendo tratado por adversários como uma encenação com fins midiáticos.
Enquanto isso, Correia e Farias defendem que a PRF atue para impedir a continuidade da marcha nos moldes atuais, permitindo manifestações apenas dentro dos limites legais. Até o momento, não houve posicionamento público da Polícia Rodoviária Federal sobre o pedido de intervenção.