O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida no mercado como Will Bank. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (21) e marca o encerramento definitivo das atividades da instituição, que integrava o conglomerado liderado pelo Banco Master, já liquidado no fim de 2025.
Com a medida, as operações do Will Bank são imediatamente interrompidas, e clientes passam a enfrentar restrições no acesso a contas, cartões e outros serviços financeiros.
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O que muda para clientes do Will Bank
A partir da decretação da liquidação, os clientes ficam impedidos de movimentar valores, realizar pagamentos ou quitar faturas pelos canais tradicionais da instituição. Contas e cartões permanecem congelados até que o liquidante nomeado pelo Banco Central estabeleça os próximos procedimentos.
O BC informou que os direitos de clientes e credores serão analisados ao longo do processo, incluindo a verificação de valores a receber, eventuais ressarcimentos e a ordem de pagamento das obrigações.
Quebra no sistema de pagamentos acelerou decisão
O desfecho foi precipitado após o Banco Central identificar, na última segunda-feira (19), o descumprimento de obrigações da Will Financeira junto ao arranjo de pagamentos da Mastercard Brasil. Como consequência, a instituição teve sua participação bloqueada, o que inviabilizou operações básicas do dia a dia.
Para a autoridade monetária, o episódio evidenciou o agravamento da situação econômico-financeira da empresa, confirmando sua insolvência e a impossibilidade de continuidade das atividades.
Tentativa de solução alternativa não prosperou
Após a liquidação do Banco Master, o Banco Central havia colocado o Master Múltiplo S/A sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET). A medida buscava preservar a operação da Will Financeira e minimizar impactos sobre o Sistema Financeiro Nacional.
Naquele momento, o conglomerado representava 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do sistema, participação considerada limitada, mas relevante. Com o avanço das irregularidades e o colapso operacional, o BC avaliou que a alternativa deixou de atender ao interesse público.
Crescimento acelerado e riscos excessivos
Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master expandiu rapidamente sua base de clientes ao oferecer CDBs com rendimentos acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, o grupo passou a assumir riscos elevados e a estruturar operações que inflavam artificialmente seus resultados.
Relatórios do Banco Central apontam que a liquidez real do conglomerado se deteriorou ao longo do tempo, criando um descompasso entre o crescimento aparente e a capacidade de honrar compromissos.
Investigações apontam movimentações bilionárias suspeitas
Apurações da Polícia Federal e análises do BC indicam que, entre 2023 e 2024, o Banco Master teria movimentado cerca de R$ 11,5 bilhões em operações consideradas irregulares. Os recursos teriam sido direcionados a empresas de fachada e a fundos ligados à gestora Reag Investimentos.
Esses fundos adquiririam ativos de baixo valor econômico, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por valores inflados. O Banco Central identificou seis fundos sob suspeita, com patrimônio conjunto estimado em R$ 102,4 bilhões.
Bens de ex-gestores ficam indisponíveis
Além da paralisação das atividades, o Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira. A medida busca preservar recursos para eventual ressarcimento de credores e apuração de responsabilidades.