Um fundo de investimentos associado a operações que envolvem familiares do ministro do STF Dias Toffoli encerrou suas atividades após transferir R$ 33,9 milhões para uma offshore registrada em paraíso fiscal. A operação foi realizada por meio da entrega integral dos ativos a uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, onde não há transparência sobre os beneficiários finais.
O fundo, denominado Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, era administrado pela Reag Investimentos, empresa que entrou recentemente na mira da Polícia Federal e teve sua liquidação decretada pelo Banco Central.
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Reavaliação abrupta elevou valor das cotas
A liquidação do fundo ocorreu em duas etapas, aprovadas em assembleias no fim de 2025. Na primeira decisão, tomada em novembro, os cotistas autorizaram a transferência de ativos avaliados em R$ 11,5 milhões, com cotas precificadas em pouco mais de R$ 1,50.
Cerca de um mês depois, uma nova assembleia redefiniu o valor das cotas, que passaram a ser avaliadas em R$ 679,13, representando uma valorização considerada fora do padrão de mercado. Com isso, o montante repassado à offshore saltou para R$ 33,9 milhões, já incluindo todos os ativos do fundo.
Offshore concentrou controle total
A beneficiária da operação foi a Egide I Holding, empresa criada em março de 2025 nas Ilhas Virgens Britânicas. Registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que a offshore era a única detentora das cotas do fundo, além de ter recebido valores acima das avaliações de mercado.
Por estar sediada em um paraíso fiscal, a Egide não divulga informações sobre seus controladores, o que impede a identificação de quem ficou com os recursos após o encerramento do fundo.
Resort no Paraná integra o pacote de ativos
Entre os ativos transferidos estava a participação no resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). O empreendimento teve como sócios, em períodos recentes, irmãos e um primo de Dias Toffoli, além de empresários ligados ao mercado financeiro.
O fundo Arleen adquiriu ações do resort ainda em 2021, pouco depois da entrada dos familiares do ministro no negócio. Essas ações passaram a integrar o conjunto de ativos enviados à offshore estrangeira.
Semelhanças com esquema investigado
A Polícia Federal investiga estruturas financeiras semelhantes no caso do Banco Master, apontando indícios de supervalorização artificial de ativos, compra de investimentos de baixo valor e posterior revenda com preços inflados. Segundo os investigadores, fundos administrados pela Reag teriam sido usados nesse tipo de operação.
No caso do fundo Arleen, os registros oficiais não permitem identificar quem se beneficiou diretamente da reavaliação das cotas nem do envio dos recursos ao exterior.
Reag e Banco Master
A Reag Investimentos é suspeita de ter atuado em parceria com o Banco Master na montagem de estruturas financeiras consideradas irregulares. A investigação levou o Banco Central a decretar a liquidação da gestora neste mês.
Dias Toffoli atua como relator de ações relacionadas ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal. Algumas de suas decisões recentes têm sido criticadas por integrantes da investigação por supostamente restringirem o ritmo das apurações, o que ampliou a atenção sobre possíveis conflitos institucionais.