DENÚNCIA

Entrega adiada da Cataguá vira alvo de denúncia em Piracicaba

Por Gabriele C. Sanches | Gabriele C. Sanches
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Enviado por fonte anônima

Confirmação de entrega não cumprida gera prejuízos

Compradores de casas de um empreendimento da Cataguá Construtora em Piracicaba relatam prejuízos financeiros e transtornos pessoais após a não entrega dos imóveis em uma data que havia sido oficialmente confirmada pela empresa. Segundo os compradores, a previsão inicial divulgada durante o processo de venda era de entrega em dezembro.

Com a chegada do mês, os compradores afirmam que receberam um e-mail informando a mudança do prazo e confirmando a entrega das chaves para o dia 23 de janeiro. No entanto, cerca de uma semana antes dessa data confirmada, um novo comunicado foi enviado informando outra alteração, e a entrega não ocorreu. Até o momento, não há nova previsão oficial.

De acordo com os compradores, foi a confirmação para 23 de janeiro que levou muitas famílias a acreditarem que a entrega seria definitiva. A partir disso, decisões importantes foram tomadas, como encerramento de contratos de aluguel, contratação de pedreiros, compra de materiais de construção, agendamento de entrega de móveis e transferência de crianças para escolas próximas ao empreendimento.


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Vistorias reprovadas e problemas recorrentes

Com a aproximação do mês de dezembro, tiveram início as vistorias técnicas das unidades. Segundo os compradores, a maioria das casas foi reprovada logo na primeira avaliação, apresentando problemas como infiltrações visíveis, falhas em telhados, vidros quebrados e outros erros considerados simples e aparentes.

O que gerou ainda mais insatisfação foi o fato de que, em vistorias posteriores, diversos problemas já apontados anteriormente continuavam sem correção. Há imagens que mostram infiltrações extensas em paredes e falhas persistentes nas unidades.

Um dos compradores critica a condução do processo. “Se chamam centenas de pessoas para vistoria, alguém precisa verificar antes. Tem gente que vem de outras cidades e encontra casa com infiltração no telhado, vidro quebrado, erros graves que já tinham sido apontados antes”, relata.

Vida reorganizada e prejuízos financeiros

Após a confirmação da entrega para 23 de janeiro, compradores afirmam que organizaram toda a logística de mudança. “Pedreiro agendado, piso comprado, móveis com entrega marcada. Tem criança que vai começar na escola do bairro agora em fevereiro. A vida ficou parada”, afirma um comprador.

Segundo os relatos, a nova mudança de prazo, informada apenas uma semana antes da data confirmada, impossibilitou qualquer replanejamento. “A gente confiou na data que eles confirmaram. Uma semana antes avisam que mudou de novo”, diz outro morador.

Os prejuízos financeiros também são apontados como um dos principais impactos. Há compradores que relatam pagamento simultâneo de parcela do financiamento, aluguel e taxas de obra elevadas.

Uma compradora afirma que sua parcela é de R$ 1.580, enquanto a taxa de obra chegou a quase R$ 2.000 e permanece nesse patamar desde setembro. Ao mesmo tempo, ela paga aluguel no valor de R$ 1.600. “Renovei o aluguel por mais um mês esperando a entrega no dia 23. Agora vou ter que renovar por tempo indeterminado, com risco de multa”, relata.

Outro comprador afirma que as taxas de obra variam entre R$ 2.000 e R$ 2.500. “Pagamos, não moramos e os problemas continuam sem solução”, resume.

Habite-se emitido e cobranças mantidas

Os compradores também questionam o fato de o Habite-se das casas já ter sido emitido, em alguns casos ainda em agosto. Mesmo assim, as unidades seguem sem entrega das chaves e continuam sendo reprovadas em vistorias.

Há relatos de que o andamento da obra aparece como 95% concluído no aplicativo da Caixa desde agosto, sem atualização posterior, enquanto os compradores continuam arcando com taxas elevadas.

Questão técnica envolvendo o SEMAE

Além dos problemas construtivos apontados nas vistorias, há também uma questão técnica envolvendo a liberação das redes de água e esgoto do empreendimento. Em resposta a questionamento feito por meio do canal oficial, o SEMAE Piracicaba informou que o loteamento se encontra em fase de acompanhamento técnico e que a aceitação definitiva das redes está condicionada ao atendimento integral das exigências técnicas aplicáveis.

Segundo informações repassadas aos compradores, após uma autorização inicial para a instalação dos hidrômetros, o órgão solicitou a substituição de um tipo de tubulação que não é mais aceito pelo SEMAE, o que teria exigido a troca dos canos em todas as unidades e a realização de nova vistoria. O processo administrativo, segundo o órgão, segue em tramitação.

Compradores ressaltam, no entanto, que a questão relacionada às redes de água e esgoto não explica a totalidade das reprovações, já que muitas casas continuam apresentando infiltrações e outros problemas construtivos visíveis, apontados desde as primeiras vistorias e que ainda não teriam sido solucionados.

Reclamações públicas e próximos passos

Além dos relatos ouvidos pela reportagem, há registros de reclamações envolvendo a Cataguá Construtora em plataformas públicas de defesa do consumidor. No site Reclame Aqui, consumidores relatam atrasos na entrega de imóveis e dificuldades de comunicação.

Diante das sucessivas mudanças de datas, alguns compradores informaram que avaliam buscar orientação junto ao Procon, em busca de esclarecimentos e possíveis providências.

Direito de resposta

A reportagem procurou a Cataguá Construtora para comentar a previsão inicial para dezembro, a confirmação da entrega para 23 de janeiro, a nova mudança informada uma semana antes dessa data, os problemas apontados nas vistorias, a cobrança de taxas após a emissão do Habite-se e se há nova previsão para a entrega das casas. Até o fechamento desta edição, não houve retorno. Caso a empresa se manifeste, a matéria será atualizada.

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