SAÚDE

Tarja preta vermelha ou amarela: atenção ao remédio que você toma

Por Gabriele C. Sanches |
| Tempo de leitura: 3 min
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Tarja vermelha, preta ou amarela: o que as cores revelam sobre os remédios

As cores das tarjas nas embalagens de medicamentos costumam passar despercebidas por muitos consumidores ou ser vistas apenas como parte do design das caixas. No entanto, essa sinalização cumpre uma função essencial: indicar o nível de controle, os riscos envolvidos e as regras para a venda de cada remédio no Brasil.

O sistema é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e serve como um guia rápido para farmacêuticos, profissionais de saúde e pacientes. Além de orientar o consumidor, as tarjas ajudam a evitar erros na dispensação, especialmente diante da grande quantidade de embalagens semelhantes nas prateleiras.

A identificação correta ganha ainda mais importância em um país marcado pela automedicação. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas indicam que cerca de 20 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência do uso inadequado de medicamentos. A própria Anvisa classifica a automedicação como um problema de saúde pública, devido aos riscos de efeitos adversos graves, mascaramento de doenças e desenvolvimento de dependência.


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Entender o significado das tarjas, portanto, vai além da curiosidade: é uma forma direta de usar medicamentos com mais segurança.

Tarja vermelha

A tarja vermelha indica medicamentos que apresentam risco moderado e, por isso, só podem ser utilizados com orientação médica. Nesses casos, a venda exige prescrição profissional.

Existem duas situações dentro desse grupo: em algumas, a receita é apenas apresentada e devolvida ao paciente; em outras, o documento precisa ficar retido na farmácia, pois envolve substâncias sujeitas a controle especial. As embalagens devem trazer alertas claros sobre a necessidade de prescrição e os cuidados durante o uso.

Tarja preta

Os medicamentos de tarja preta estão sujeitos a controle rigoroso. Geralmente, atuam no sistema nervoso central e têm potencial de causar dependência física ou psíquica. O uso inadequado pode resultar em efeitos graves e até risco de morte.

Por isso, a compra só é permitida com receita médica, que obrigatoriamente fica retida com o farmacêutico. Esse grupo inclui remédios usados no tratamento de transtornos mentais, distúrbios do sono e dores intensas. O acompanhamento médico contínuo e o respeito às doses prescritas são fundamentais para a segurança do paciente.

Tarja amarela

A tarja amarela não indica risco, mas sim a categoria do medicamento. Ela identifica os genéricos, que possuem o mesmo princípio ativo, dose e eficácia dos medicamentos de referência, geralmente com preço mais acessível.

Um medicamento genérico pode ser isento de prescrição ou exigir receita, dependendo da substância. Quando há necessidade de controle, a faixa amarela aparece junto com a tarja vermelha ou preta. Ou seja, a cor amarela informa que o produto é genérico, enquanto a outra tarja define o nível de restrição.

Medicamentos sem tarja

Os remédios sem tarja são conhecidos como medicamentos isentos de prescrição (MIP). Eles podem ser comprados sem receita, mas seguem critérios rigorosos de qualidade, segurança e eficácia definidos pela legislação sanitária.

Em geral, são indicados para sintomas leves ou condições não graves. Ainda assim, o uso indiscriminado ou frequente pode trazer riscos, especialmente quando combinado com outros medicamentos ou em pessoas com doenças crônicas. A ausência de tarja não elimina a necessidade de cuidado e orientação profissional.

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