O influenciador Felca passou a ser alvo de ataques e manifestações dentro do Roblox, plataforma popular entre crianças e adolescentes, após mudanças recentes nas regras de uso do chat por voz. Embora não tenha qualquer ligação com as decisões adotadas pela empresa, seu nome acabou associado à polêmica por causa do impacto de um vídeo seu sobre exploração infantil na internet, que ultrapassou 51 milhões de visualizações no YouTube.
Desde então, avatares no jogo têm exibido cartazes virtuais com mensagens hostis direcionadas ao criador de conteúdo, além de ataques diretos enviados a ele por redes sociais. Em uma das mensagens compartilhadas pelo próprio Felca, um usuário afirma que ele teria “acabado com a infância” de crianças que usam o jogo. Outras vão além e trazem ameaças explícitas.
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Por que Felca entrou no centro da polêmica
A associação do nome do influenciador aos protestos se deu após a ampla repercussão do vídeo Adultização, no qual Felca discute riscos e abusos envolvendo menores no ambiente digital. O conteúdo impulsionou debates públicos, investigações criminais e até projetos de lei relacionados à proteção de crianças e adolescentes na internet.
Apesar disso, as novas regras do Roblox não foram motivadas por ações de Felca, mas por pressões acumuladas sobre a plataforma, que há anos enfrenta denúncias de falhas na segurança de usuários menores de idade.
O que mudou no chat do Roblox
As alterações começaram a valer no início do mês e envolvem verificação de idade com reconhecimento facial. A partir disso, o uso do chat por voz passou a obedecer limites etários mais rígidos:
- Crianças mais novas só podem conversar com usuários da mesma faixa etária;
- Jogadores abaixo de 9 anos ficam restritos a interações com menores de 13;
- Apenas usuários a partir de 16 anos podem falar com pessoas entre 13 e 20 anos.
A medida impede que crianças conversem livremente com adultos, algo que vinha sendo apontado como um risco recorrente dentro do jogo.
Um jogo infantil sob escrutínio internacional
Criado antes da pandemia, o Roblox explodiu em popularidade nos últimos anos. Segundo dados da própria empresa, a plataforma chegou a 151 milhões de usuários em 2024, atraídos pela proposta de um universo virtual no qual os próprios jogadores criam jogos e experiências.
No entanto, essa liberdade também abriu espaço para conteúdos impróprios. Reportagens internacionais já expuseram desde simulações de violência extrema até ambientes com conotação sexual. Autoridades e veículos como BBC e El País relataram casos envolvendo assédio, pornografia e situações traumáticas vividas por crianças dentro do jogo.
Casos extremos e pressão por mudanças
Um dos episódios mais graves veio à tona nos Estados Unidos, quando a família de um adolescente autista entrou na Justiça após o jovem cometer suicídio. Segundo a investigação, ele teria sido manipulado por um adulto que se passava por criança, inicialmente dentro do Roblox, e depois em aplicativos externos de mensagens. O caso reacendeu o debate sobre responsabilidade das plataformas digitais.
Após episódios como esse, o Roblox afirmou publicamente estar reforçando políticas de proteção infantil e colaborando com autoridades. Outras plataformas citadas em investigações semelhantes, como o Discord, também reforçaram regras e sistemas de monitoramento.
eu to sendo atacado por crianças na minha dm por conta que o roblox tirou o chat de voz pic.twitter.com/b0e3qfCQal
— Felca (@Felcca) January 15, 2026