O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar reação internacional ao reforçar sua intenção de incorporar a Groenlândia ao território norte-americano, mesmo sem o consentimento da Dinamarca, país ao qual a ilha pertence. Em tom irônico, Trump minimizou a capacidade defensiva da região e afirmou que os EUA irão controlar a ilha “de um jeito ou de outro”.
A declaração foi feita no domingo (11), durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One. Ao comentar sobre a segurança do território ártico, o presidente debochou da estrutura local ao afirmar: “E sabe qual é a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros”. A fala causou indignação entre autoridades europeias e especialistas em relações internacionais.
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Território estratégico no centro da disputa
Apesar do comentário, a Groenlândia não possui Forças Armadas próprias por ser um território autônomo do Reino da Dinamarca. A defesa é coordenada por Copenhague, com foco em vigilância marítima e aérea. O país mantém patrulheiros navais e aeronaves de monitoramento, além da presença de uma base militar dos Estados Unidos em Pituffik, que abriga cerca de 650 militares americanos e sistemas de radar antimísseis.
A região é considerada estratégica no cenário global por sua posição no Ártico, área cada vez mais disputada devido ao avanço do degelo, à abertura de novas rotas comerciais e ao potencial econômico de recursos naturais. Trump afirma que sua intenção é impedir o avanço da Rússia e da China na região.
Europa reage e Otan entra em alerta
As novas declarações ampliaram a preocupação entre aliados europeus. Segundo informações divulgadas por agências internacionais, países da Otan discutem medidas para reforçar a presença militar na Groenlândia, em um movimento liderado por Reino Unido e Alemanha.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que qualquer ataque dos EUA à ilha significaria o colapso da Aliança do Atlântico Norte. Especialistas avaliam que a postura de Trump já provoca fissuras na coesão do bloco militar.
Compra da ilha e ameaça de uso da força
A Casa Branca confirmou que Trump considera formalizar uma proposta de compra da Groenlândia, mesmo diante da resistência da população local. De acordo com a imprensa internacional, o governo norte-americano estuda oferecer incentivos financeiros diretos a moradores que apoiem a anexação.
Embora a diplomacia seja apresentada como prioridade, o próprio Trump já afirmou que não descarta o uso da força militar. Em entrevistas recentes, o presidente também declarou que não se sente obrigado a seguir o direito internacional, sustentando que seus poderes se limitam apenas à própria “moralidade”.
Nova ordem global em disputa
Analistas veem o episódio como parte de um cenário mais amplo de transformação da ordem mundial, marcado pelo fortalecimento de ações unilaterais e pela disputa direta entre grandes potências. A insistência de Trump na Groenlândia reforça o papel do Ártico como um dos principais tabuleiros geopolíticos do século 21.
Enquanto autoridades tentam conter a escalada diplomática, a retórica agressiva do presidente dos EUA mantém a região no centro das atenções e amplia a incerteza sobre os próximos passos da política internacional.