ECONOMIA

2026 deve ser ano de recorde em recuperação judicial e falências

Por Gabriele C. Sanches |
| Tempo de leitura: 2 min
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Juros elevados, crédito restrito e instabilidade política devem manter forte pressão sobre empresas brasileiras

O ano de 2026 deve ser marcado por um cenário econômico desafiador para o setor produtivo brasileiro. A combinação de juros elevados, restrição no acesso ao crédito e instabilidade política tende a agravar as dificuldades financeiras das empresas, aumentando o volume de pedidos de recuperação judicial e falências em todo o país.

Mesmo diante das projeções de redução gradual da taxa básica de juros, especialistas avaliam que o alívio no custo do crédito não será suficiente para reverter o quadro no curto prazo. A expectativa é de que o ambiente financeiro siga restritivo, comprometendo o fluxo de caixa e a capacidade de reorganização financeira de diversos negócios.

Projeções do mercado indicam que a taxa Selic deve encerrar o próximo ano em torno de 12,25%. Apesar da sinalização de queda, o patamar ainda é considerado elevado e continua impactando diretamente o endividamento das empresas, especialmente aquelas que dependem de financiamentos para manter suas operações.


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Juros altos e crédito limitado agravam crise empresarial

O custo elevado do dinheiro dificulta a renegociação de dívidas e torna mais complexo o processo de reestruturação financeira, levando muitas empresas a recorrerem à recuperação judicial como alternativa para evitar a paralisação das atividades. A expectativa de reduções mais expressivas nos juros só a partir de anos seguintes reforça esse movimento de busca por proteção judicial.

Além disso, a oferta de crédito segue limitada. Instituições financeiras mantêm uma postura mais cautelosa na liberação de recursos, exigindo garantias mais robustas e ampliando prazos de análise. Esse cenário atinge principalmente pequenas e médias empresas, que possuem menor capacidade de oferecer ativos como garantia.

Dados do sistema financeiro mostram que o prazo médio para concessão de crédito com recursos livres alcançou níveis elevados, refletindo a cautela do setor bancário diante do atual contexto econômico e político.

Outro ponto de atenção é o impacto da inadimplência. Empresas que enfrentaram a pandemia e crises recentes chegam a 2026 com reservas financeiras reduzidas. Levantamentos do mercado indicam que uma parcela significativa dos negócios lida com atrasos recorrentes nos pagamentos, comprometendo o capital de giro e aumentando o risco de insolvência.

Diante desse cenário, especialistas alertam que o número de recuperações judiciais e falências deve continuar crescendo, reforçando a necessidade de planejamento financeiro, revisão de custos e estratégias de gestão mais eficientes para atravessar o período de instabilidade.

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