O Brasil encerrou 2025 sob o impacto de um dos anos mais extremos já observados do ponto de vista climático. Episódios de frio intenso, ondas de calor históricas, ciclones, temporais severos e ventos acima do esperado se espalharam por diferentes regiões, ao longo de praticamente todas as estações, evidenciando um padrão de maior instabilidade e risco.
A avaliação faz parte de um balanço climático elaborado a partir do acompanhamento contínuo de sistemas meteorológicos e dos principais eventos registrados no País. O levantamento aponta que os fenômenos deixaram de ser pontuais e passaram a influenciar diretamente o cotidiano da população, além de setores estratégicos como energia, transporte, agronegócio e infraestrutura urbana.
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Clima extremo deixa de ser exceção
Ao longo do ano, a alternância rápida entre cenários opostos chamou atenção. Massas de ar polar avançaram com frequência, derrubando as temperaturas para níveis incomuns, enquanto períodos de calor intenso quebraram recordes históricos, especialmente em grandes centros urbanos.
Especialistas ressaltam que esse comportamento reforça a necessidade de incorporar a chamada inteligência climática às decisões públicas e privadas. A antecipação de cenários e o uso de dados meteorológicos confiáveis são apontados como ferramentas essenciais para reduzir prejuízos e aumentar a resiliência das cidades.
Frio prolongado e calor histórico no mesmo ano
O frio ganhou destaque ainda no fim do outono, com a chegada de sistemas polares mais intensos a partir de maio. Em várias regiões, especialmente no Sul, as temperaturas permaneceram abaixo da média por meses, com impacto direto na rotina e na economia local.
Um dos episódios mais simbólicos ocorreu em outubro, quando a cidade de São Paulo registrou pouco mais de 11 °C, um valor raro para a época do ano e que evidenciou um resfriamento fora do padrão esperado para a primavera.
Meses depois, o contraste foi extremo: no fim de dezembro, a capital paulista enfrentou uma onda de calor que levou os termômetros a ultrapassarem os 37 °C, estabelecendo um novo recorde para o mês e mostrando como 2025 concentrou extremos de sinais opostos.
Ventos, ciclones e temporais severos
Outro traço marcante do ano foi a força do vento. Rajadas intensas atingiram áreas urbanas e costeiras, provocando quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia e transtornos no transporte aéreo e marítimo.
No segundo semestre, episódios associados a ciclones extratropicais ganharam destaque, com registros de ventos próximos ou superiores a 100 km/h em áreas do Sudeste e do Sul. Em São Paulo, um dos aeroportos mais movimentados do País registrou uma das rajadas mais fortes já observadas em décadas em condições de tempo seco.
Além disso, temporais com granizo, chuvas volumosas e até tornados foram contabilizados, principalmente na primavera, reforçando o potencial destrutivo das tempestades severas.
Chuvas fora do padrão e impactos regionais
As precipitações também fugiram do comportamento habitual em várias regiões. No Sul, volumes elevados em curtos períodos causaram alagamentos e inundações, enquanto áreas do Nordeste registraram acumulados expressivos em meses que tradicionalmente são mais secos.
Na Região Norte, a persistência das chuvas reduziu a caracterização do chamado “verão amazônico”, alterando a dinâmica local e afetando atividades econômicas e logísticas.
Principais momentos climáticos de 2025
- Maio: avanço das primeiras massas polares mais intensas do ano;
- Junho: chuvas excepcionais e inundações no Rio Grande do Sul;
- Julho: ventos fortes no Sudeste e ressaca no litoral;
- Setembro: rajadas intensas em áreas urbanas e costeiras;
- Outubro: frio fora de época com temperaturas históricas;
- Novembro: tempestades severas com granizo e tornado no Sul;
- Dezembro: ciclone extratropical e novo recorde de calor em São Paulo.