O uso de aparelhos conhecidos como Gato Net voltou ao centro do debate no Congresso Nacional. Um projeto de lei em tramitação pretende ampliar o rigor contra a pirataria de TV por assinatura e atingir não apenas quem vende ou distribui o sinal ilegal, mas também quem utiliza o serviço de forma consciente. A proposta busca atualizar a legislação para acompanhar a evolução desse tipo de crime, que hoje opera de maneira organizada, com redes de comercialização, suporte técnico clandestino e alcance nacional.
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Cerco mais amplo à pirataria
Atualmente, a lei brasileira já considera crime a captação não autorizada de sinais de TV paga. Na prática, porém, as punições recaem principalmente sobre vendedores e distribuidores, enquanto o consumidor final raramente sofre consequências diretas.
O novo texto tenta mudar esse cenário ao responsabilizar toda a cadeia envolvida. A intenção é eliminar a brecha jurídica que separa quem oferece o serviço ilegal de quem se beneficia dele dentro de casa.
Penas mais duras e enquadramento criminal
Pelo projeto, a venda, importação e distribuição de dispositivos não homologados — como algumas TV Boxes usadas para desbloquear canais pagos — podem ser enquadradas como furto qualificado. As penas previstas variam de 4 a 12 anos de prisão, além de multa.
O texto também abre espaço para punições ao usuário, caso fique comprovado que ele tinha conhecimento da ilegalidade do serviço contratado.
Impacto econômico e prejuízo ao Estado
Especialistas em direito digital e telecomunicações apontam que a pirataria de TV gera perdas bilionárias todos os anos. O impacto atinge operadoras, produtoras de conteúdo, empregos no setor audiovisual e a arrecadação de impostos, que deixa de chegar aos cofres públicos.
Segundo esse entendimento, o foco da proposta é atingir organizações estruturadas que lucram com a prática, e não apenas pequenos usuários isolados.
Atuação da Anatel e bloqueios
Mesmo antes da nova lei, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vem intensificando ações contra o uso de sinal pirata. Nos últimos anos, milhões de aparelhos irregulares foram bloqueados, além de apreensões em operações conjuntas com outros órgãos.
Essas ações têm dificultado o funcionamento de serviços clandestinos, mas não eliminaram o problema por completo.
Riscos além da ilegalidade
Outro ponto de alerta envolve a segurança digital. Muitos desses dispositivos permitem acesso remoto, coleta indevida de informações pessoais e até a instalação de programas maliciosos, expondo usuários a golpes, vazamento de dados e invasões.
Especialistas destacam que, além do risco jurídico, há um risco real à privacidade e à segurança de quem utiliza esse tipo de equipamento.
O que muda a partir de agora
A proposta ainda precisa ser analisada e votada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Somente após a aprovação nas duas Casas e a sanção presidencial é que as novas regras passariam a valer.
Até lá, o avanço do projeto já funciona como um sinal de alerta: o combate à pirataria de TV no Brasil tende a se tornar mais rigoroso. A recomendação das autoridades é optar por serviços legalizados, que garantem qualidade, suporte e proteção ao consumidor — além de evitar problemas com a Justiça.