SAÚDE

Novo coronavírus é identificado em morcegos no Brasil; ENTENDA

Por Bia Xavier - JP |
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem gerada por IA

Pesquisadores identificaram um novo coronavírus circulando em morcegos brasileiros, com características genéticas que chamaram a atenção da comunidade científica internacional. O vírus foi detectado durante análises laboratoriais e apresenta semelhanças estruturais com agentes causadores de doenças respiratórias graves, como a covid-19 e a MERS, embora não exista, até o momento, qualquer evidência de risco direto à população humana.

VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

O achado foi descrito em um estudo científico divulgado como pré-publicação na plataforma bioRxiv, o que significa que os dados ainda passarão por revisão de outros especialistas antes de eventual validação definitiva.

Onde o vírus foi encontrado

O material genético do novo coronavírus foi identificado em amostras coletadas de morcegos em áreas rurais e de mata nos estados do Maranhão e São Paulo. Em um dos casos, o vírus foi detectado em um morcego da espécie Pteronotus parnellii, no município de Riachão (MA).

A partir do sequenciamento genético, os cientistas observaram que o vírus — provisoriamente chamado de BRZ batCoV — pertence ao mesmo grupo de coronavírus associados a surtos de impacto global registrados nas últimas décadas.

O detalhe que acendeu o alerta

O principal ponto de atenção do estudo está na identificação de uma estrutura específica na proteína spike do vírus, conhecida como sítio de clivagem da furina. Essa região funciona como um mecanismo que pode facilitar a entrada do vírus nas células do hospedeiro.

No caso do SARS-CoV-2, essa característica está associada à alta capacidade de transmissão. Por isso, a presença desse elemento em um vírus encontrado em morcegos levanta questionamentos científicos sobre seu potencial evolutivo — ainda que, reforçam os pesquisadores, não haja comprovação de que ele infecte humanos.

O que isso significa para a saúde pública?

Especialistas destacam que a descoberta não indica o surgimento iminente de uma nova epidemia. O estudo reforça, sobretudo, a importância da vigilância genética de vírus em animais silvestres, especialmente em regiões pouco estudadas do planeta.

Até hoje, a maioria dos coronavírus de relevância para a saúde pública foi identificada na Ásia, África e Oriente Médio. A pesquisa amplia esse panorama ao mostrar que a América do Sul também abriga uma diversidade viral ainda pouco conhecida.

Morcegos e o papel na evolução dos vírus

Morcegos são considerados reservatórios naturais de inúmeros vírus e desempenham um papel importante na dinâmica ecológica desses agentes. Segundo os pesquisadores, mutações e recombinações genéticas podem ocorrer naturalmente nesses animais, favorecendo o surgimento de novas variantes ao longo do tempo.

O estudo aponta que estruturas como o sítio de clivagem da furina podem surgir de forma independente em diferentes famílias de vírus de RNA, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo — não como motivo de alarme, mas como estratégia preventiva.

Pesquisa internacional e próximos passos

A investigação foi conduzida por cientistas de instituições do Brasil, Japão e outros países, evidenciando a cooperação internacional no mapeamento de vírus emergentes. A expectativa agora é que novos estudos avaliem com mais profundidade o comportamento do BRZ batCoV e sua interação com diferentes hospedeiros.

Enquanto isso, especialistas reforçam: não há motivo para pânico, mas sim para investimento em ciência, vigilância epidemiológica e preservação ambiental.

Comentários

Comentários