Os Correios iniciaram uma nova etapa de negociações financeiras para obter cerca de R$ 10 bilhões em um prazo de 15 dias. A direção da estatal afirma que o valor é necessário para estabilizar o fluxo de caixa, retomar a capacidade operacional e evitar agravamento da situação financeira. A expectativa é que o empréstimo, com garantia da União, seja formalizado até o fim do mês.
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O montante representa metade dos R$ 20 bilhões que haviam sido planejados inicialmente. A empresa revisou o objetivo após identificar custos elevados nas propostas apresentadas por instituições financeiras na rodada anterior de negociações conduzida pela atual gestão.
A obtenção do crédito é considerada essencial para dar continuidade ao processo de reorganização das despesas. Entre as medidas previstas está a criação de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), com meta de adesão de 10 mil empregados. A iniciativa tem como finalidade reduzir gastos com pessoal, o que representaria diminuição anual estimada de R$ 2 bilhões na folha salarial. No PDV anterior, de um universo de 8 mil interessados, cerca de 3,6 mil efetivaram a saída.
A direção dos Correios avalia que será necessário apresentar condições que incentivem maior adesão para atingir a meta definida. As tratativas com os bancos consideram um limite de custo financeiro de até 120% do CDI, patamar comum em operações que contam com garantia da União. A estatal encaminhou propostas a aproximadamente dez instituições e aguarda retorno.
Na etapa inicial das conversas, propostas apresentadas por BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Banco do Brasil foram consideradas acima do que a empresa pretendia pagar, mesmo com a garantia do Tesouro Nacional. As instituições financeiras consultadas não comentaram o tema.
Impactos na operação
Em documentos contábeis divulgados recentemente, os Correios afirmam que enfrentam restrições financeiras e desafios diante do cenário competitivo. A empresa aponta que o equilíbrio das contas é necessário para regularizar pagamentos a fornecedores, o que tem impacto direto no prazo das entregas.
A estatal informa que o índice de entregas dentro do prazo está em 92%. A meta é superar 95% para manter contratos e atrair novos clientes, especialmente grandes plataformas de comércio eletrônico. A empresa destaca que houve recuperação em relação ao primeiro semestre, quando o indicador chegou a 76%, mas afirma que novas melhorias dependem da recomposição financeira.
Situação atual do endividamento
Além da busca pelo novo empréstimo, a estatal enfrenta questões relacionadas a contratos já firmados. Em uma operação anterior, o descumprimento de cláusula contratual gerou aumento dos juros. Um aditivo firmado em condições menos favoráveis elevou as despesas em R$ 40,5 milhões. A empresa também monitora riscos de retenção de recursos vinculados a esse contrato.
A direção dos Correios afirma que, enquanto negocia a captação de R$ 10 bilhões, busca alternativas para cumprir obrigações financeiras e manter serviços operando dentro dos padrões previstos.