O governo de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), planeja dividir em duas unidades as escolas da rede estadual que possuem mais de 1.200 alunos. O projeto, comunicado às equipes escolares há menos de um mês, tem como objetivo principal facilitar a gestão pedagógica e administrativa das unidades. A informação foi confirmada pelo Metrópoles e pela Folha de S.Paulo.
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Como será feita a divisão
A proposta da Secretaria da Educação (Seduc) é que cada escola incluída no projeto seja separada em duas unidades distintas, embora ambas funcionarão no mesmo prédio. O governo assegura que nenhum estudante será transferido de endereço físico.
Na prática, as turmas serão divididas sob a responsabilidade de dois diretores: o gestor atual e um novo. O subsecretário pedagógico da Educação, Michel Minerbo, explicou que a divisão pode seguir diferentes critérios dependendo da estrutura do colégio, como a separação por pavilhões. No entanto, o método mais provável será a divisão por turnos. A Seduc buscará uma especialização por ciclo, como, por exemplo, o ensino médio pela manhã e os anos finais do fundamental à tarde, mas a proposta final será submetida pelas escolas para avaliação.
Questionado sobre a gestão do patrimônio, o subsecretário afirmou que não haverá um terceiro diretor administrativo. A gestão será compartilhada pelos dois diretores, com a possibilidade de um ficar responsável pelo patrimônio e o outro pela alimentação e limpeza, por exemplo. Ambas as unidades resultantes terão, individualmente, menos de 1.200 estudantes.
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Próximos passos
A Seduc justifica o projeto alegando que a divisão visa reforçar a gestão pedagógica e melhorar os indicadores de ensino. A pasta se baseia em estudos que indicam que escolas com um número menor de alunos tendem a apresentar melhor desempenho.
O projeto ainda depende da publicação de um decreto do governador e será iniciado de forma experimental, em 2026, com um grupo de unidades. A secretaria classifica a medida como um "projeto piloto" e, neste momento, a adesão das escolas é voluntária. Até o dia 11/11, 110 diretores haviam manifestado interesse. A criação das novas unidades implicará em um novo nome para cada uma delas.
Críticas da Apeoesp
O Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) critica o curto prazo concedido para o debate da proposta com as comunidades escolares. O sindicato alega que a medida é imposta "a toque de caixa" e acusa o governo de realizar um "fechamento de escolas" — o que a secretaria nega. A Apeoesp traça um paralelo entre o projeto e a reorganização escolar proposta em 2015 pelo então governador Geraldo Alckmin, que gerou protestos e ocupações de escolas.