PERIGO

Remédio para o coração 'vira moda' entre ansiosos e acende alerta

Por Da Redação |
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Foto: Freepik
Betabloqueadores foram feitos como medicamento para fins cardiológicos, porém tem ganhado fama para controlar a ansiedade, o que gera riscos à saúde
Betabloqueadores foram feitos como medicamento para fins cardiológicos, porém tem ganhado fama para controlar a ansiedade, o que gera riscos à saúde

O uso de medicamentos betabloqueadores para gerenciar sintomas físicos da ansiedade, como palpitações, tremores e sudorese, tem ganhado destaque recentemente, impulsionado por menções em plataformas digitais. Contudo, a comunidade médica faz um alerta: embora esses fármacos possam mitigar as reações corporais do estresse, eles não tratam a origem emocional do quadro e não devem ser utilizados sem prescrição e acompanhamento.

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O cardiologista Fernando Ribas, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, esclarece que os betabloqueadores foram originalmente desenvolvidos para fins cardiológicos. "Eles atuam inibindo os betarreceptores de adrenalina no organismo, o que reduz efeitos típicos da ansiedade no sistema cardiovascular, como o aumento da frequência cardíaca e a elevação da pressão arterial. O controle dessas reações pode trazer alívio durante um episódio de ansiedade", afirmou ao portal Viva Bem.

A psiquiatra Danielle Admoni, supervisora na residência de psiquiatria da Unifesp e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), complementa que o uso pontual do propranolol, um dos medicamentos dessa classe, é frequentemente citado em casos de ansiedade de desempenho, como antes de apresentações ou provas orais. "O betabloqueador pode reduzir sintomas físicos como sudorese intensa ou taquicardia antes de uma exposição, mas a medicação não é um tratamento para a causa fundamental. Ele não atua na sensação de medo ou na tensão antecipatória, agindo apenas no corpo, e não na mente", explixou ao portal.

Riscos da automedicação

Apesar de ser uma medicação antiga, desenvolvida nos anos 1960, a popularidade do propranolol para o controle da ansiedade é recente, impulsionada por relatos em redes sociais e pelas demandas do ambiente de trabalho.

Segundo especialistas, essa tendência reflete uma "cultura do desempenho". Criando um alerta para o risco de banalização do uso, especialmente pela facilidade de acesso. O medicamento auxilia no controle das reações físicas do estresse momentâneo e não substitui o tratamento clínico. Além de possivelmente criar dependências em quem o utiliza, pela falsa sensação de conseguir performar bem por conda do remédio.

O uso sem supervisão médica também pode acarretar sérias consequências cardiovasculares, segundo Fernando Ribas. Betabloqueadores podem induzir crises de asma e bronquite, causar queda de pressão, desmaios e reduzir significativamente a frequência cardíaca (bradicardia). Além disso, o uso inadequado pode mascarar manifestações de doenças cardíacas, como arritmias, atrasando o diagnóstico e o tratamento.


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Pacientes idosos e aqueles com pressão arterial baixa (hipotensão) devem ter atenção especial. "Esses grupos podem manifestar hipotensão ou bradicardia com doses reduzidas. Portanto, a indicação deve ser sempre avaliada por um médico", alerta o cardiologista.

Indicação e Tratamento Integral

A indicação mais aceita na psiquiatria é o uso pontual, como antes de uma exposição pública. "Para quem tem ansiedade de desempenho, pode ser uma ferramenta válida, desde que combinada com acompanhamento psicológico. A ansiedade precisa ser tratada em sua origem, não apenas controlada nos sintomas.", afirmou Danielle ao Viva Bem.

O efeito da medicação varia: no uso contínuo, o bloqueio cardiovascular pode durar até 72 horas, enquanto o uso pontual tem efeito dissipado em poucas horas.

Para os especialistas, o consenso é que o betabloqueador é uma ferramenta para sintomas físicos, e não uma solução para a ansiedade.

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