O Governo do Estado do Rio de Janeiro solicitou formalmente, em 28 de janeiro de 2025, o apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a realização de operações em áreas de risco. O pedido de cooperação e apoio logístico da Marinha, com o fornecimento de veículos blindados, foi dirigido ao Ministro da Defesa, José Múcio.
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A solicitação ocorreu meses antes da operação deflagrada na última terça-feira, 28 de outubro de 2025, nos Complexos da Penha e do Alemão. Este evento está sendo considerado a ação policial mais letal da história do estado. O número de óbitos ultrapassou a marca de 100.
Na manhã de quarta-feira (29.out), moradores da Penha transportaram 56 corpos para a praça São Lucas. O Secretário de Polícia Militar, Marcelo de Menezes Nogueira, declarou à TV Globo que estes corpos não estavam incluídos no balanço oficial que, até então, contabilizava 64 mortes.
Detalhes do Pedido
Um e-mail datado de 28 de janeiro, assinado pelo Secretário de Estado da Polícia Civil, Felipe Curi, reiterou o pedido pelos blindados. O texto informava que as forças de segurança estaduais estavam prontas para iniciar as atividades em data, local e horário definidos. Curi sugeriu que os veículos poderiam ser baseados na Cidade da Polícia (Cidpol).
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A demanda inicial por blindados era para patrulhar a área do Hospital Naval Marcílio Dias, na zona norte da capital fluminense, após uma médica capitã de Mar e Guerra ser atingida por uma bala perdida em dezembro anterior.
Controvérsia e Posição do Governo Federal
Em entrevista concedida na terça-feira (28), o Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), declarou que o estado não tem recebido o auxílio das forças de segurança federais ou do Ministério da Defesa, afirmando que a operação era conduzida pelo "Rio de Janeiro sozinho".
Castro alegou que os pedidos por blindados foram negados sob a justificativa de que a operação exigiria a decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), instrumento ao qual o presidente Lula é contrário. "O presidente é contra a GLO. Cada dia nós temos uma razão de não emprestar e não colaborar", afirmou o governador.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública, liderado por Ricardo Lewandowski, divulgou um comunicado refutando as declarações. O órgão afirmou que tem "atendido, prontamente, a todos os pedidos do governo do Estado do Rio de Janeiro para o emprego da Força Nacional no Estado, em apoio aos órgãos de segurança pública federal e estadual". O ministério ainda destacou que, desde 2023, todas as 11 solicitações de renovação da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) foram aceitas.
A decretação de GLO é uma prerrogativa presidencial que permite o uso das Forças Armadas em operações de segurança pública. Apesar de ser contrário à GLO, o presidente Lula já autorizou a medida em duas ocasiões: nos portos do Rio de Janeiro e na cidade de Itaguaí, e durante a Cúpula do G20, em novembro de 2024, na capital fluminense.