SAÚDE

Jovens em risco: AVC mata 1 brasileiro a cada 6 minutos

Por Bia Xavier - JP |
| Tempo de leitura: 3 min
Freepik
Na última década, casos de AVC em jovens aumentou 66%.
Na última década, casos de AVC em jovens aumentou 66%.

O acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como derrame cerebral, continua sendo uma das doenças que mais matam no Brasil. Entre janeiro e outubro deste ano, o país registrou 64.471 mortes causadas pela condição — o que significa uma vida perdida a cada seis minutos, segundo o Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil. Em 2023, foram 85.457 óbitos, consolidando o AVC como uma das principais causas de morte entre os brasileiros.

VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Mais do que o impacto humano, o AVC também impõe custos elevados à saúde pública. De 2019 a setembro de 2024, o tratamento da doença consumiu R$ 910 milhões do sistema hospitalar, com mais de 85 mil internações, sendo um em cada quatro pacientes admitido em UTI, de acordo com levantamento da consultoria Planisa.

Especialistas alertam: 80% dos casos poderiam ser evitados. A chave está em controlar a pressão arterial, manter alimentação equilibrada, abandonar o tabagismo e praticar exercícios físicos regularmente. Diversos estudos mostram que o derrame é resultado direto de fatores de risco mal administrados, como hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade e sedentarismo.

Dois tipos de AVC e sintomas de alerta

A maioria dos casos (cerca de 85%) é do tipo isquêmico, provocado pelo bloqueio do fluxo sanguíneo no cérebro devido à formação de coágulos. O restante — 15% — se refere ao AVC hemorrágico, causado pela ruptura de vasos cerebrais e consequente sangramento, geralmente associado a quadros de pressão alta descompensada.

Independentemente do tipo, o tempo de resposta é determinante. Entre os sinais de alerta estão sorriso torto, fraqueza repentina em um lado do corpo, dificuldade na fala, confusão mental, visão turva, tontura e dor de cabeça intensa e súbita. O atendimento deve acontecer em até quatro horas após o início dos sintomas, quando há maior chance de reversão do quadro.

O método “SAMU” — Sorriso, Abraço, Música, Urgente — é usado mundialmente para ajudar a reconhecer um AVC e acionar o socorro pelo número 192. Cada minuto é decisivo: quanto maior o atraso, maior a perda de neurônios e o risco de sequelas permanentes.

Doença também avança entre jovens

Antes associada quase exclusivamente ao envelhecimento, a doença agora atinge também adultos jovens. Dados da Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC) indicam que a incidência do tipo isquêmico cresceu 66% entre pessoas com menos de 45 anos na última década.

O aumento é atribuído ao estilo de vida moderno, marcado por má alimentação, uso de cigarro eletrônico, anticoncepcionais hormonais, anabolizantes, além de estresse constante, consumo de álcool e noites mal dormidas. Esses fatores aceleram o aparecimento da hipertensão e da obesidade, abrindo caminho para a doença mais cedo.

Entre os adultos jovens, especialistas destacam três principais causas emergentes:

  • Alterações cardíacas, como a persistência do forame oval, que permite a passagem de coágulos para o cérebro;
  • Combinação de tabagismo e anticoncepcional hormonal, que pode multiplicar por até dez vezes o risco de AVC;
  • Uso frequente de anabolizantes e testosterona, que eleva as chances de tromboses e oclusões vasculares.

Diagnóstico, tratamento e reabilitação

O diagnóstico rápido depende de tomografia ou ressonância magnética, exames que identificam se o AVC é isquêmico ou hemorrágico e orientam o tratamento. Quando o derrame é causado por coágulo, os trombolíticos (medicamentos que dissolvem a obstrução) ou a trombectomia mecânica (remoção do coágulo por cateter) podem evitar danos permanentes.

Após o evento, a reabilitação intensiva é fundamental. Com o apoio de equipes multidisciplinares — fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos —, é possível restaurar funções neurológicas e melhorar a qualidade de vida. O cérebro, especialmente nos primeiros meses, tem alta capacidade de adaptação e regeneração.

Prevenir ainda é o melhor tratamento

Apesar dos avanços médicos, a melhor estratégia continua sendo a prevenção. Controlar a pressão arterial e o colesterol, manter hábito alimentar saudável e abandonar o cigarro são medidas simples e eficazes. O AVC é uma emergência que ocorre de forma súbita, mas evitá-lo está, em grande parte, nas mãos de cada indivíduo.

Comentários

Comentários