Após meses de apreensões causadas por bebidas adulteradas com metanol, um novo alerta de contaminação química acende a preocupação de autoridades de saúde no Brasil. Desta vez, o risco não vem apenas de produtos alcoólicos falsificados, mas também de itens presentes no dia a dia de milhões de consumidores — como sucos, vinhos e até água mineral.
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Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) realizaram uma análise que revelou traços de nitrito de sódio, um conservante cuja utilização é proibida em bebidas pela legislação nacional. O estudo foi conduzido no Laboratório de Sensores, Nanomedicina e Materiais Nanoestruturados (LSNano) e publicado na revista científica Microchimica Acta. Embora o nitrito de sódio seja liberado para o processamento de carnes como salsichas, presuntos e bacon, seu uso em líquidos é ilegal e classificado como fraude alimentar.
O composto pode reagir com outras substâncias no corpo humano e formar nitrosaminas, compostos sabidamente relacionados ao desenvolvimento de cânceres de fígado, estômago e esôfago, segundo os cientistas. O alerta é claro: a substância pode estar sendo utilizada de maneira irregular para mascarar a deterioração e oxidação de certas bebidas, mantendo artificialmente sua coloração e aparência.
Para chegar ao resultado, a equipe da UFSCar desenvolveu uma tecnologia de detecção rápida e sustentável, feita a partir de cortiça — o mesmo material usado em rolhas de vinho. A superfície da cortiça é modificada por gravação a laser, tornando-se condutiva e capaz de identificar pequenas quantidades de nitrito em líquidos com altíssima precisão. O diferencial do dispositivo está na tecnologia verde: ele dispensa reagentes tóxicos, reduz custos e oferece resultados imediatos, podendo revolucionar o monitoramento sanitário de bebidas no país.
Durante os testes, o sensor foi capaz de detectar o nitrito de sódio em níveis preocupantes, acendendo um alerta tanto alimentar quanto ambiental. Agora, os pesquisadores buscam validar o dispositivo em escala comercial, o que poderá ajudar órgãos fiscalizadores e indústrias na identificação ágil de fraudes e contaminações químicas.
A descoberta reacende o debate sobre a segurança dos produtos industrializados e reforça a importância de verificar procedência e certificações de qualidade antes do consumo. Para os especialistas, o episódio reforça a urgência de políticas públicas e tecnologias que garantam transparência e proteção à saúde do consumidor.