Após o período mais crítico da pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021, diversas doenças infecciosas voltaram a registrar aumento de casos em diferentes partes do mundo. Durante a crise sanitária, as restrições de contato social e o uso de medidas preventivas contribuíram para a redução da circulação de outros vírus. Entretanto, desde 2022, foram observados novos surtos e o retorno de enfermidades que haviam sido controladas.
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Entre elas estão a poliomielite, o sarampo, a cólera e a bronquiolite infantil. Especialistas em saúde pública alertam que, em 2025, algumas dessas doenças seguem em expansão, impulsionadas pela queda na cobertura vacinal e por crises humanitárias em determinadas regiões.
Poliomielite
O vírus da poliomielite, que chegou a ser controlado globalmente, continua circulando de forma endêmica no Paquistão e no Afeganistão. A doença também foi identificada novamente na Faixa de Gaza, após mais de duas décadas sem registros locais. A queda da cobertura vacinal para cerca de 80% durante o conflito iniciado em 2023 levou a Organização das Nações Unidas (ONU) e autoridades locais a iniciar uma nova campanha de imunização.
A poliomielite é transmitida principalmente por contato com fezes de pessoas infectadas ou pela ingestão de água e alimentos contaminados. O vírus pode causar paralisia, especialmente em crianças. Em 2022, casos também foram confirmados no Reino Unido e nos Estados Unidos, após anos sem registros.
Sarampo
O sarampo voltou a ser detectado em diversos países, sobretudo entre crianças não vacinadas. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a taxa de imunização contra o vírus diminuiu desde o início da pandemia. Profissionais de saúde afirmam que pequenas reduções na cobertura vacinal podem resultar em milhares de pessoas suscetíveis à infecção.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que, para evitar novos surtos, a imunização alcance pelo menos 95% da população. O risco de expansão permanece elevado em regiões que ainda não atingiram esse índice.
Cólera
O Haiti voltou a registrar transmissão de cólera pela primeira vez em três anos. Desde outubro de 2022, o país contabilizou cerca de 13 mil casos e mais de 280 mortes. A infecção é causada pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Autoridades locais e internacionais apontam que a cepa atual pode ter relação com uma variante introduzida há mais de uma década, após o terremoto que atingiu o país.
Além do Haiti, casos de cólera também aumentaram na Síria, no Malawi e em mais de 25 países. A Organização Mundial da Saúde reforçou a necessidade de ampliar a produção de vacinas e, devido à escassez de doses, passou a recomendar a aplicação de apenas uma dose por pessoa como medida emergencial.
Bronquiolite infantil
Os casos de bronquiolite infantil cresceram durante o inverno de 2022-2023 no Hemisfério Norte. A doença, geralmente causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), afeta bebês e crianças menores de dois anos. Médicos apontam que o aumento pode estar relacionado ao longo período de isolamento durante a pandemia, que reduziu a exposição natural das crianças a infecções respiratórias.
A bronquiolite é uma das principais causas de hospitalização entre crianças com menos de um ano de idade. O aumento simultâneo de infecções respiratórias tem gerado pressão sobre os sistemas de saúde e escassez de medicamentos em alguns países.