NOBEL 2025

Saiba quem é opositora de Maduro que venceu o Nobel da Paz

Por Bia Xavier - JP |
| Tempo de leitura: 3 min
Foto: Juan BARRETO / AFP
Eleita deputada em 2010 com votação expressiva, María Corina Machado teve seu mandato cassado pelo governo chavista quatro anos depois.
Eleita deputada em 2010 com votação expressiva, María Corina Machado teve seu mandato cassado pelo governo chavista quatro anos depois.

O Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, anunciou nesta sexta-feira (10) a premiação do Nobel da Paz de 2025 à líder opositora venezuelana María Corina Machado. A honraria consagra os "esforços persistentes em favor da restauração pacífica da democracia e dos direitos humanos" em uma Venezuela marcada por crises e autoritarismo. Aos 58 anos, Machado emerge como um símbolo global de resiliência.

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A notícia pegou Machado de surpresa. "Estou em choque", expressou a líder em sua primeira reação pública, durante uma ligação com Edmundo González Urrutia, o candidato apoiado por ela nas eleições de 2024 e que hoje vive exilado na Espanha. González, emocionado, compartilhou a conversa nas redes sociais, celebrando o prêmio como um "reconhecimento muito merecido" para a batalha por liberdade e democracia travada por Machado e pelo povo venezuelano.

O comitê ressaltou o papel de Machado como um "exemplo extraordinário de coragem civil na América Latina", uma figura que "mantém acesa a chama da democracia em meio à escuridão crescente" no país. Sua trajetória política é um espelho das turbulências venezuelanas. Nascida em Caracas em 1967, com formação em engenharia industrial e finanças, ela migrou do setor privado para o ativismo, cofundando a Súmate, organização crucial no monitoramento eleitoral e na promoção de processos livres. Em 2010, foi eleita deputada da Assembleia Nacional com uma votação recorde, mas sua atuação foi bruscamente interrompida pelo governo chavista, que a destituiu quatro anos depois.


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Apesar de ter vencido as primárias da oposição em 2023 com mais de 90% dos votos, o caminho de Machado rumo à presidência foi barrado pelo Supremo Tribunal de Justiça, alinhado ao governo, que a inabilitou por 15 anos de cargos públicos. Mesmo sob perseguição, com aliados detidos ou forçados ao exílio e até uma breve prisão em janeiro deste ano, Machado continuou a percorrer o país na clandestinidade, defendendo reformas econômicas liberais, como a privatização de empresas estatais, e programas sociais.

O reconhecimento internacional não é novidade para a venezuelana, descrita pelo Comitê do Nobel como uma "figura unificadora". Em 2024, ela e Edmundo González já haviam recebido o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos da União Europeia. Machado agora se une a um seleto grupo: é a 20ª mulher entre os 112 homenageados com o Nobel da Paz desde 1901. O prêmio inclui 11 milhões de coroas suecas, aproximadamente R$ 6,2 milhões.

A premiação ocorre em um momento crítico para a Venezuela, um país outrora democrático que agora enfrenta um regime autoritário. A nação é assolada por pobreza extrema, censura e prisões políticas, impulsionando o êxodo de mais de 8 milhões de cidadãos. As eleições de 2024, marcadas por denúncias de fraude e pela reeleição contestada de Nicolás Maduro, resultaram em protestos violentos e na morte de mais de 20 pessoas, segundo a Associated Press. Ao honrar María Corina Machado, o Comitê do Nobel reafirma a crença de que as ferramentas da democracia são, intrinsecamente, as ferramentas da paz.

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