O bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, investigado pela morte do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23, em Taubaté, já havia sido citado em ocorrências relacionadas a conflitos no trânsito e, segundo relatos enviados ao OVALE, também foi acusado de ameaças e agressão por mulheres.
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Os registros anteriores não resultaram em denúncia do Ministério Público nem em processo criminal contra Marcos Paulo e foram arquivados. Por isso, não podem ser apresentados como condenações ou como prova de que ele tenha cometido os fatos relatados.
A investigação sobre a morte de Bruno é independente e deverá considerar as provas produzidas especificamente sobre o episódio ocorrido em Taubaté.
O histórico ganhou repercussão após a morte de Bruno, baleado durante uma discussão de trânsito na manhã de quarta-feira (30), na avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo. O estudante chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
O caso é investigado como homicídio. Marcos Paulo foi preso e depois recebeu liberdade provisória na audiência de custódia, tendo que cumprir medidas cautelares.
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Discussão no trânsito
Um dos registros envolvendo Marcos Paulo ocorreu em 2021 e teve origem em uma discussão no trânsito. Um motorista teria permanecido parado por alguns instantes após o semáforo abrir.
A situação teria provocado a irritação do bombeiro e iniciado uma discussão. Conforme o relato registrado na ocorrência, Marcos teria mostrado uma arma ao outro motorista durante o desentendimento.
O caso foi arquivado e não houve responsabilização criminal.
A defesa de Marcos Paulo contesta a versão que vem sendo divulgada sobre esse episódio. Em nota enviada a OVALE, o advogado Claudio Rodrigues Moreira afirma que, segundo o cliente, houve apenas uma discussão de trânsito e que ele sequer teria descido do veículo.
A defesa também ressalta que não houve denúncia do Ministério Público nem processo criminal relacionado ao caso.
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Conflito por garagem
Em 2019, Marcos Paulo também apareceu em uma ocorrência relacionada ao trânsito. O bombeiro teria parado um veículo diante de uma garagem, impedindo a saída de uma moradora.
A situação teria provocado uma discussão entre os envolvidos. Assim como no episódio de 2021, o registro foi arquivado e não resultou em responsabilização criminal.
Os dois episódios têm em comum o fato de terem surgido a partir de situações de trânsito, mas possuem circunstâncias próprias e não devem ser tratados como se fossem o mesmo caso.
Mulher relata ameaça
Além dos registros policiais, OVALE ouviu relatos de mulheres que afirmam ter tido problemas anteriores com Marcos Paulo.
Uma autônoma de Taubaté contou ao jornal que teria sido ameaçada duas vezes pelo bombeiro em agosto, na mesma região onde Bruno foi baleado.
Segundo a mulher, ela levava a filha de 11 anos para a escola em uma moto elétrica quando teria sido fechada por um carro preto, por volta das 6h40.
Ela afirmou que precisou desviar em direção ao canteiro para evitar uma queda com a filha. Depois, os dois veículos teriam parado novamente em um semáforo.
Nesse momento, segundo o relato, o motorista teria apontado uma arma para ela e perguntado: “Tá louca, você quer morrer? Quer?”.
Assustada, a mulher contou que subiu com a moto na calçada e chegou a trafegar na contramão para deixar o local e conseguir levar a filha à escola.
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Nova ameaça
Após deixar a filha na escola, a autônoma afirma ter encontrado novamente o mesmo motorista em outro semáforo.
Segundo ela, desta vez o homem estava sozinho no veículo e teria voltado a apontar a arma.
“E novamente ele apontou a arma para mim e falou novamente: ‘Você quer morrer? Quer?’”, relatou.
Ainda conforme a mulher, o homem teria mandado que ela deixasse o local.
Diante do medo, ela afirmou que saiu antes de o semáforo abrir e permaneceu por algum tempo em uma calçada próxima.
“Foi desesperador para mim”, disse.
Segundo a autônoma, o episódio fez com que ela mudasse horários e trajetos usados diariamente para levar a filha à escola.
Mulheres relatam ameaças
Além desse relato, outras três mulheres procuraram a reportagem para contar experiências que atribuem ao bombeiro.
Uma delas afirmou ter sido agredida por Marcos Paulo em um domingo pela manhã. Segundo seu relato, a situação só não teria terminado de forma mais grave porque a esposa do bombeiro deixou o local e ele foi atrás dela.
“Poderia ter acontecido comigo também [o que aconteceu com o Bruno]”, afirmou.
Outra mulher afirmou que conheceu o bombeiro há cerca de dez anos, quando ele era seu vizinho. Segundo ela, Marcos teria a agredido e apontado uma arma em sua direção. A mulher afirmou que registrou um boletim de ocorrência na época.
Uma quarta mulher também relatou à reportagem ter sido ameaçada pelo bombeiro.
Os relatos foram apresentados ao OVALE pelas próprias mulheres. A reportagem não os trata como condenações ou como comprovação judicial dos fatos narrados.
Caso Bruno é investigado
Bruno Hashimura morreu após ser baleado durante uma discussão de trânsito na Avenida do Povo, em Taubaté.
Marcos Paulo foi preso após o episódio, mas obteve liberdade provisória. A defesa afirma que o bombeiro teria interpretado a situação como uma tentativa de assalto e agido em legítima defesa.
A Polícia Civil investiga o caso como homicídio. A arma relacionada à ocorrência foi apreendida e a Polícia Técnico-Científica realizou perícia no local.
O Ministério Público também recorreu contra a decisão que concedeu liberdade provisória ao bombeiro.
Bombeiro está afastado
O Comando do 11º Grupamento de Bombeiros divulgou nota após a morte de Bruno e manifestou solidariedade à família e aos amigos do estudante.
A corporação informou que Marcos Paulo não exercia funções na região do Vale do Paraíba e estava em licença sem vencimentos.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o militar está afastado desde 13 de maio de 2026, quando foi publicada no Diário Oficial do Estado a licença sem vencimentos solicitada por ele para tratar de interesse particular.
A corporação também afirmou que condutas contrárias à preservação da vida, à legalidade e ao respeito à população são incompatíveis com os valores institucionais.
Defesa contesta relatos
Procurado pela reportagem, o advogado Claudio Rodrigues Moreira, que defende Marcos Paulo, afirmou que as ocorrências anteriores foram arquivadas e não resultaram em denúncia do Ministério Público ou ação penal.
Sobre o episódio de 2021, especificamente, a defesa afirma que a versão apresentada atualmente não corresponde ao que teria acontecido. Segundo o advogado, Marcos Paulo declarou que houve apenas uma discussão de trânsito e que sequer teria descido do veículo.
A defesa também pediu cautela na divulgação dos fatos anteriores, destacando que procedimentos arquivados não equivalem a condenações ou antecedentes criminais decorrentes de processos judiciais.
Íntegra da nota da defesa
"A defesa de Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, por intermédio do Escritório Dr. Claudio Rodrigues Moreira, vem a público prestar esclarecimentos a respeito de informações que vêm sendo divulgadas acerca de fatos pretéritos envolvendo seu constituinte.
Inicialmente, a defesa esclarece que as ocorrências anteriores mencionadas, objeto de boletins de ocorrência e de apuração em inquérito policial, foram arquivadas, não tendo resultado em oferecimento de denúncia pelo Ministério Público ou na instauração de ação penal em desfavor de Marcos Paulo.
Especificamente quanto ao episódio ocorrido no ano de 2021, Marcos Paulo declarou à defesa que a narrativa que atualmente vem sendo apresentada não corresponde, segundo sua versão, à realidade concreta dos acontecimentos. Conforme relatado pelo defendido, naquela ocasião houve apenas uma discussão decorrente de situação de trânsito, sendo que ele sequer teria descido de seu veículo durante o episódio.
Marcos Paulo também informou à defesa que não tinha conhecimento da existência de inquérito policial instaurado para apuração daquele fato, ressaltando-se que a investigação não resultou no oferecimento de denúncia pelo Ministério Público e tampouco deu origem a processo criminal em seu desfavor.
A defesa entende ser necessário que fatos pretéritos sejam tratados com a devida cautela e dentro de seu efetivo contexto jurídico, especialmente quando não resultaram em denúncia ou ação penal, evitando-se que narrativas relativas a procedimentos já arquivados sejam apresentadas publicamente como se correspondessem a condenações ou antecedentes criminais decorrentes de processos judiciais.
Por fim, a defesa de Marcos Paulo reafirma que continuará prestando todos os esclarecimentos necessários nos meios próprios, com respeito às instituições e ao trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos."