BALEADO EM TAUBATÉ

'Legítima defesa', diz bombeiro que matou Bruno; ele foi liberado

Por Da redação | taubaté
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
O bombeiro Marcos Paulo Fujarra (à esq.); ao lado, o estudante Bruno Hashimura, com o filhinho
O bombeiro Marcos Paulo Fujarra (à esq.); ao lado, o estudante Bruno Hashimura, com o filhinho

A defesa do bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, afirma que ele atirou contra o estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23, para conter uma “grave ameaça e injusta agressão”.

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O advogado Cláudio Rodrigues sustenta que o cliente agiu em legítima defesa na ocorrência de trânsito que terminou com a morte de Bruno, em Taubaté, na manhã de quarta-feira (30).

Segundo o advogado, Marcos estava no Jeep Renegade com a esposa e o filho pequeno, que seria levado a uma consulta médica, quando ocorreu o desentendimento com Bruno, que dirigia um Chevrolet Prisma prata. A defesa afirma que o bombeiro teria interpretado a movimentação do estudante como uma possível tentativa de assalto.

“Marcos alega legítima defesa”, afirmou Rodrigues a OVALE.

De acordo com o advogado, após o episódio em um túnel onde os veículos teriam se encontrado, Bruno passou a gritar e xingar e estaria com um objeto nas mãos. A esposa do bombeiro, que estava no banco traseiro com o filho, teria visto a situação e entendido que poderia se tratar de um assalto.

Ainda conforme a versão apresentada pela defesa, Marcos parou no semáforo e decidiu descer do veículo. Ele teria se identificado como policial e pedido que Bruno saísse do carro. Segundo o advogado, o estudante não teria obedecido.

Marcos se aproximou do veículo de Bruno e relatou que o estudante teria batido e quebrado o vidro com um objeto que carregava na mão. Na sequência, segundo a defesa, teria investido contra o bombeiro, que então efetuou os disparos.

“Ele achou que era uma arma de fogo. Ele se antecipou ao possível assalto. Como policial, ele tem o dever de interromper uma agressão. Ele preferiu se antecipar”, declarou o advogado.

Um canivete retrátil com cabo azul foi apreendido pela polícia durante a ocorrência, no interior do veículo do estudante. Entretanto, o boletim de ocorrência não registra que o objeto tenha sido utilizado como arma durante a discussão. Os policiais também não localizaram uma arma de fogo com Bruno ou dentro do Chevrolet Prisma.

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Defesa fala em fatalidade

O advogado classificou o episódio como uma fatalidade e afirmou que Bruno não aparentava ser uma pessoa agressiva.

“Bruno parecia ser um rapaz de bem e não agressivo. Precisamos do laudo do IML para mais informações sobre ele. Lamentamos muito a fatalidade”, disse Rodrigues.

Segundo a defesa, a perícia será fundamental para esclarecer as circunstâncias do caso, inclusive as condições em que Bruno estava no momento dos disparos.

O advogado também afirmou que não houve uma discussão anterior entre os dois motoristas e que a dinâmica do encontro ainda precisa ser esclarecida pelas investigações.

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Estudante morreu após ser baleado

Bruno foi baleado na avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté. Ele seguia para a Faculdade de Medicina para realizar uma prova de imunologia clínica quando se envolveu na ocorrência de trânsito.

O estudante caiu na calçada depois de ser atingido e foi levado ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu aos ferimentos. O registro policial aponta inicialmente cinco disparos.

Uma pistola Taurus calibre .380, atribuída ao bombeiro, foi apreendida pela polícia.

A Polícia Civil investiga o caso como homicídio. O registro inicial aponta, em tese, a possibilidade de qualificadoras relacionadas a motivo fútil e ao uso de recurso que teria dificultado ou impedido a defesa da vítima. A classificação poderá ser modificada durante a investigação, conforme as provas sejam analisadas.

Perícias deverão avaliar imagens, a movimentação dos veículos, os vestígios encontrados nos carros e a sequência dos disparos para esclarecer a dinâmica do episódio.

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Bombeiro deixa prisão

Marcos deixou a prisão em liberdade provisória nesta quinta-feira (1º), após audiência de custódia realizada em São José dos Campos. A audiência ocorreu por volta das 10h e foi conduzida pela juíza Glaucia Paiva, da Vara Regional das Garantias.

A Justiça determinou medidas cautelares, entre elas o comparecimento bimestral, o recolhimento domiciliar durante a noite em fins de semana e dias de folga e a proibição de deixar a comarca por mais de 15 dias sem comunicar previamente o Judiciário.

O bombeiro também está proibido de manter contato ou se aproximar, em um raio inferior a 100 metros, dos familiares de Bruno.

A decisão determinou ainda a suspensão do porte de arma de Marcos e comunicou a Polícia Militar para que ele seja direcionado a atividades administrativas.

A prisão preventiva não foi decretada. Segundo a decisão, neste momento não havia elementos suficientes para a adoção da medida mais grave. O caso continua sendo investigado.

Família de Bruno pede justiça

A família de Bruno também se manifestou após a morte do estudante. Uma familiar publicou uma mensagem de agradecimento pelas manifestações de solidariedade e descreveu o jovem como um “menino bom”.

Na publicação, ela afirmou que Bruno não estaria armado e disse esperar que os responsáveis pela morte sejam responsabilizados.

“Bruno é meu sobrinho querido e, como todos aqui bem sabem, um menino bom que jamais estaria armado oferecendo perigo a alguém”, escreveu.

A familiar também pediu justiça e afirmou que a família pretende preservar a memória do estudante. As declarações fazem parte das manifestações de pessoas próximas a Bruno, enquanto a Polícia Civil ainda apura as circunstâncias da discussão e dos disparos.

Velório e sepultamento

O corpo de Bruno é velado nesta quinta-feira (1º) no Campo das Oliveiras, na região central de Jacareí. A cerimônia segue até as 14h.

Depois do velório, o estudante será sepultado no Cemitério Memorial do Vale.

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