O bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, foi preso e será conduzido ao Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo, após ser investigado pela morte do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, baleado durante uma discussão de trânsito em Taubaté. A Polícia Civil deve pedir a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.
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O caso aconteceu na manhã desta quarta-feira (30), na avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo. Bruno foi baleado durante o confronto e morreu depois de ser socorrido ao Hospital Regional de Taubaté.
Segundo o boletim de ocorrência e o despacho da autoridade policial, Bruno dirigia um Chevrolet Prisma prata, enquanto Marcos estava em um Jeep Renegade preto. Os dois teriam se envolvido em uma discussão relacionada ao trânsito antes dos disparos.
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Versão do bombeiro
Em seu interrogatório, Marcos afirmou à Polícia Civil que acreditou estar diante de uma tentativa de roubo. Segundo a versão apresentada pelo bombeiro, ele teria visto nas mãos de Bruno um objeto de aparência prateada e imaginado que poderia ser uma arma de fogo.
O investigado relatou que deixou o Renegade e se aproximou do veículo de Bruno. Ainda conforme sua versão, em determinado momento o vidro da porta do motorista do Prisma teria sido quebrado e a vítima teria tentado investir contra ele.
Marcos afirmou que efetuou os disparos nesse momento, alegando que agiu para se defender.
Antes do interrogatório formal, segundo o boletim, o bombeiro teria dito informalmente aos policiais que havia sido ameaçado com uma faca e que atirou para se defender. Na sequência, porém, informou que somente prestaria declarações acompanhado de seu advogado.
Polícia não reconhece legítima defesa
No despacho, o delegado Bruno Tambosi afirma que a alegação de legítima defesa apresentada pelo bombeiro não encontra, neste momento da investigação, suporte suficiente para ser reconhecida.
A Polícia Civil afirma que não foram encontrados elementos objetivos que indiquem que Bruno tenha anunciado um assalto ou exibido uma arma de fogo. Também não foi localizada nenhuma arma de fogo com o estudante ou dentro do Prisma.
De acordo com a investigação, o próprio bombeiro não afirmou ter identificado de maneira inequívoca uma arma. Ele relatou ter visto apenas um objeto de aparência prateada e interpretado que poderia ser uma arma de fogo.
A autoridade policial também destacou que, até o momento, os elementos reunidos indicam que Marcos deixou o próprio veículo e se aproximou do carro de Bruno antes dos disparos.
A polícia ressalta, porém, que a dinâmica ainda depende dos exames periciais e que a conclusão poderá ser reavaliada caso novas provas sejam encontradas.
Vidro do carro será analisado
Um dos pontos que deverá ser esclarecido é a dinâmica do rompimento do vidro do Prisma.
A Polícia Civil registrou divergências sobre as condições do vidro durante o confronto e determinou a realização de perícias para verificar os vestígios encontrados no veículo.
Outro aspecto que será analisado é a visibilidade dos envolvidos. O Prisma de Bruno não tinha película escura, enquanto o Renegade conduzido pelo bombeiro possuía película.
Segundo a autoridade policial, essas circunstâncias podem ajudar a esclarecer o que cada um dos envolvidos conseguia visualizar no momento da ocorrência.
Um canivete retrátil com cabo azul, ligado ao estudante, foi apreendido dentro do contexto da ocorrência. O boletim também registra a apreensão do celular que estava no veículo da vítima. O documento, contudo, não aponta que o canivete tenha sido utilizado como arma durante o confronto.
Cinco disparos são investigados
A quantidade de tiros também será analisada pela perícia. O despacho policial menciona que, inicialmente, foram apontados cinco disparos.
A Polícia Civil deverá confrontar essa informação com os vestígios encontrados no local, nos veículos e no corpo da vítima, além de analisar a trajetória, a distância e as posições dos envolvidos.
A pistola particular Taurus calibre .380 atribuída ao bombeiro foi apreendida. Também foram recolhidos 14 cartuchos intactos do mesmo calibre, que estavam no carregador da arma.
Foram solicitados exames periciais no local, nos veículos, na arma e nos demais objetos apreendidos, além do exame residuográfico. A investigação também realizou o levantamento visuográfico da cena.
Estudante tentou se afastar
Depois de ser baleado, Bruno saiu do Prisma e tentou se afastar pela avenida. Ele caiu na calçada, na altura do número 880 da Avenida do Povo.
Os policiais militares que atenderam inicialmente a ocorrência encontraram o estudante ensanguentado e acionaram o Resgate. Uma unidade de atendimento realizou os primeiros socorros e levou Bruno ao Hospital Regional de Taubaté.
Um homem que se identificou como enfermeiro do hospital também auxiliou no atendimento inicial, mas, segundo o boletim, não presenciou o confronto.
Populares que estavam nas proximidades também foram questionados pelos policiais, mas afirmaram que não haviam visto o momento dos disparos.
Bruno era estudante do quarto semestre de medicina da Unitau (Universidade de Taubaté). A universidade lamentou a morte e manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas e professores.
Presídio
Após o registro da ocorrência e as providências iniciais, integrantes da Força Tática da Polícia Militar deverão conduzir Marcos diretamente ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.
A Polícia Civil também deve pedir a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. A medida será submetida à análise da Justiça.
O caso foi registrado como homicídio. No despacho, a autoridade policial aponta, em tese, a possibilidade de homicídio qualificado por motivo fútil e pelo emprego de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima.
A classificação jurídica, no entanto, ainda poderá ser alterada durante o andamento da investigação, especialmente após a conclusão dos exames periciais e a análise de novos elementos.
A Polícia Civil deverá continuar apurando a sequência da discussão, a posição dos envolvidos, a dinâmica do rompimento do vidro, a trajetória dos disparos e as circunstâncias que antecederam os tiros.
A investigação também deverá confrontar a versão apresentada pelo bombeiro com os vestígios materiais encontrados na cena e nos veículos.