DENÚNCIAS DE ABUSO

Unesp afasta dois professores após denúncias de assédio em SJC

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Acervo Pessoal
Carolina durante atividade na Unesp
Carolina durante atividade na Unesp

A direção do ICT (Instituto de Ciência e Tecnologia) da Unesp (Universidade Estadual Paulista), campus de São José dos Campos, informou que dois docentes citados em relatos de assédio foram afastados das atividades acadêmicas por 30 dias. O prazo poderá ser prorrogado conforme o avanço das apurações.

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A medida foi divulgada em nota oficial da universidade, após a repercussão de denúncias envolvendo situações de assédio e abuso no ambiente acadêmico.

O caso foi revelado por OVALE e ganhou repercussão nacional. Carolina Ferreira, de 21 anos, aluna de odontologia da Unesp de São José, afirmou ter sido estuprada por um professor da instituição em 2023, quando tinha 18 anos.

Segundo o relato da jovem, o episódio e os desdobramentos posteriores fizeram com que ela deixasse a universidade.

"Eu entrei na faculdade no curso que eu sempre sonhei e lutei tanto pra conquistar. No meu primeiro ano, esse sonho foi interrompido de forma violenta: eu fui estuprada por um professor", disse Carolina.

Leia mais: ‘Ponta do iceberg’, diz dentista sobre assédio na Unesp em SJC

Onda de denúncias e protestos

Após a denúncia vir à tona, outros relatos começaram a surgir. De acordo com organizadores de uma manifestação realizada na segunda-feira (4), cerca de 10 casos teriam sido relatados por estudantes e ex-alunos.

O ato reuniu aproximadamente 200 estudantes da Unesp de São José dos Campos. Vestidos de preto, eles se concentraram no campus da odontologia e depois seguiram por ruas da região central da cidade, cobrando investigação rigorosa, acolhimento às vítimas e punição aos responsáveis.

Durante a manifestação, os alunos carregaram cartazes contra assédio, violência de gênero e abuso de poder no ambiente universitário.

O que diz a instituição

Em nota, a direção do ICT informou que acompanha as manifestações “com atenção e responsabilidade” e reiterou repúdio a qualquer forma de assédio. A universidade afirmou ainda que, desde o dia 30 de abril, foram abertos dois Processos de Investigação Preliminar para averiguar episódios registrados na Ouvidoria.

A instituição também informou que disponibiliza canais oficiais para acolhimento, orientação e encaminhamento de denúncias, com garantia de sigilo, imparcialidade e possibilidade de anonimato. As denúncias podem ser formalizadas por meio da Ouvidoria Geral, da Ouvidoria Local e da Direção da Unidade.

Unesp afirma que casos serão apurados

Ainda segundo a universidade, todos os casos devidamente registrados são apurados conforme as normas institucionais e a legislação vigente. A direção ressaltou, no entanto, que sem a formalização da denúncia, a instituição não dispõe de meios para investigar oficialmente os episódios narrados.

Sobre os protestos, a Unesp afirmou reconhecer o direito legítimo de expressão e mobilização dos estudantes, mas reforçou a importância de que as manifestações sejam conduzidas com serenidade e respeito.

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