Uma nova denúncia envolvendo episódios de abuso dentro da Unesp de São José dos Campos. Esta é a segunda denúncia nesta semana.
OVALE revelou o caso de uma aluna que denunciou ter sido estuprada por um professor.
Agora, uma nova denúncia: a cirurgiã-dentista e perita judicial Bárbara Hatje, ex-estudante da universidade, tornou público um relato sobre situações que afirma ter vivido durante o período em que frequentava o curso.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela afirma que decidiu falar após anos lidando com as consequências emocionais.
“Demorei muito tempo para entender o que aconteceu comigo. E mais ainda para ter coragem de falar”, escreveu.
Caso aconteceu durante a aula
No depoimento, Bárbara descreve um episódio ocorrido dentro de um laboratório, durante uma aula, com outros alunos presentes. Segundo ela, o momento foi marcado por abuso por parte de um professor.
“Em resumo, esse professor colocou a mão dele dentro da minha calça.”
Ambiente marcado por silêncio e medo
Ela afirma que, na ocasião, ficou sem reação e que só conseguiu compreender a gravidade da situação com o tempo. Segundo o relato, o ambiente acadêmico era marcado por medo e silêncio, o que dificultava a denúncia.
Ainda de acordo com Bárbara, após o episódio, o mesmo professor teria passado a persegui-la academicamente, ameaçando reprová-la caso não frequentasse atividades sob sua supervisão.
Dentista diz que sofreu perseguição
Ela também relata outros episódios de assédio e abuso de poder ao longo da graduação e da pós-graduação, o que teria contribuído para o desenvolvimento de crises emocionais e, posteriormente, para o abandono do curso de mestrado.
“O que mais dói não é só o que aconteceu, mas o fato de ninguém fazer nada. O silêncio também machuca”, afirmou.
Primeiro caso
A denúncia surge dias após outro caso envolvendo a mesma instituição. A estudante Carolina Ferreira, de 21 anos, relatou ter sido vítima de estupro por um professor em 2023, quando tinha 18 anos. Segundo ela, o crime teria ocorrido após aceitar uma carona oferecida pelo docente.
Carolina afirma ainda que passou a sofrer ameaças após o episódio. “Chegou a mostrar fotos da minha família no celular dele, dizendo que sabia quem eram e que, se eu falasse alguma coisa, teria consequências”, relatou.
De acordo com a estudante, o trauma teve impacto profundo em sua saúde física e emocional, levando ao abandono do curso. “Chegou um ponto em que eu não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise”, disse.
O que diz a Unesp
Em nota, a universidade informou que repudia qualquer forma de assédio no ambiente acadêmico e destacou que dispõe de canais institucionais para acolhimento e formalização de denúncias, garantindo sigilo e apuração dos casos.
A repercussão dos relatos tem incentivado outras possíveis vítimas a se manifestarem, ampliando o debate sobre segurança, acolhimento e responsabilização dentro do ambiente universitário. Especialistas reforçam a importância de investigação rigorosa e suporte adequado às vítimas.
Os casos seguem sob atenção e podem ter novos desdobramentos.