A estudante Carolina Ferreira, de 21 anos, que acusa um professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de estupro em São José dos Campos, publicou um novo vídeo nesta segunda-feira (4), no qual reforça a denúncia e declara apoio a um ato contra casos de abuso e violência sexual na universidade.
O caso foi revelado por OVALE e novas denúncias têm sido apresentadas. O ato contra o assédio dentro da Unesp será realizado na tarde desta segunda, entre 13h30 e 17h30.
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Na gravação, a jovem afirma que pretende levar o caso adiante e cobra justiça. “Eu acredito em Deus, tenho fé que a Justiça vai ser feita. Não vou deixar a faculdade abafar o caso, a gente não vai se calar”, disse Carolina. Ela também fez um alerta: “Temo pela segurança das meninas”.
O caso ganhou repercussão na comunidade acadêmica e motivou a organização de um ato contra a violência sexual em São José dos Campos. Após a denúncia, outras estudantes também passaram a relatar episódios de assédio, ampliando o debate sobre segurança no ambiente universitário.
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Relato emocionante
Durante o vídeo, Carolina voltou a descrever o episódio que diz ter ocorrido em 2023, quando tinha 18 anos. Segundo ela, o crime aconteceu após aceitar uma carona oferecida por um professor, que não teve o nome mencionado.
A jovem, à época, morava em Taubaté e estudava em São José. Segundo o relato, uma noite, na saída da faculdade, o professor teria oferecido uma carona e ela entrou no carro. “Eu nem sei como cheguei em casa. Cheguei com as roupas todas rasgadas e toda machucada. Eu não conseguia falar com a minha mãe, só chorava”, relatou.
Ameaças e abandono da graduação
Após o episódio, a estudante afirma que passou a sofrer ameaças dentro do ambiente universitário. De acordo com o relato, o professor teria mostrado fotos de sua família e insinuado consequências caso a denúncia fosse formalizada.
O trauma, aliado ao medo, levou ao abandono do curso de odontologia. “Chegou um ponto em que eu não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise”, disse. Carolina registrou um boletim de ocorrência, após sofrer novas ameaças.
Unesp diz que repudia assédio
A Unesp enviou uma nota oficial a OVALE, em que "manifesta seu firme repúdio a qualquer forma de assédio no ambiente universitário e reafirma seu compromisso com a promoção de um espaço acadêmico seguro, respeitoso e acolhedor para toda a comunidade".
Veja abaixo íntegra da nota da Unesp
"A Direção do Instituto de Ciência e Tecnologia, câmpus de São José dos Campos da Unesp, manifesta seu firme repúdio a qualquer forma de assédio no ambiente universitário e reafirma seu compromisso com a promoção de um espaço acadêmico seguro, respeitoso e acolhedor para toda a comunidade. Solidarizamo-nos com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de desrespeito. Reforçamos que a Universidade dispõe de canais institucionais adequados para acolhimento, orientação e encaminhamento dessas ocorrências. As denúncias podem ser formalizadas por meio de canais oficiais, que asseguram o tratamento responsável, com sigilo, imparcialidade e possibilidade de anonimato, bem como o devido acompanhamento dos casos:
Ouvidoria Geral da Unesp: https://sistemas.unesp.br/ouvidoria/pages/externo/manifestacao.xhtml?idUnidade=1
Ouvidoria Local: https://sistemas.unesp.br/ouvidoria/pages/externo/manifestacao.xhtml?idUnidade=30
Direção da Unidade: diretor.ict@unesp.br
"Ressaltamos que todos os casos devidamente denunciados são e sempre serão rigorosamente apurados, em conformidade com as normas institucionais e a legislação vigente, com a adoção das providências cabíveis. Destacamos, ainda, que o ambiente universitário conta com medidas permanentes de segurança, incluindo controle de acesso com reconhecimento facial, presença de agentes de portaria e vigilância, além de sistema de monitoramento por câmeras, visando à proteção de todos que circulam na Instituição.
A Universidade também disponibiliza suporte por meio do Programa Acolhe Unesp (https://www2.unesp.br/portal#!/ouvidoria_ses/acolhe-unesp24870/) e, no âmbito do ICT/CSJC, a Seção Técnica de Saúde conta com profissionais capacitados para acolhimento presencial. Reiteramos nosso compromisso com a integridade, o respeito mútuo e a convivência ética. Permanecemos à disposição para acolher, orientar e agir com responsabilidade sempre que necessário", diz a nota.