A estudante Carolina Ferreira, de 21 anos, que acusa de estupro um professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de São José dos Campos, afirmou que registrou um boletim de ocorrência após ser ameaçada.
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Em publicação nas redes sociais neste domingo (3), a aluna disse que pretende dar continuidade ao caso e encorajou outras possíveis vítimas a se manifestarem. O caso de Carolina foi revelado por OVALE na última quinta-feira (30).
“O boletim de ocorrência foi feito. Vamos dar prosseguimento no caso”, escreveu. Em outro trecho, declarou: “Vamos colocar esse monstro no lugar dele”.
A Unesp confirmou, em nota enviada a OVALE, que recebeu a denúncia de estupro feita pela estudante, mas afirmou que "não dispunha de elementos para dar sequência" à queixa.
Pedido por novas denúncias
Na mesma publicação, Carolina fez um apelo para que outras estudantes que possam ter passado por situações semelhantes entrem em contato. “Não importa o tempo ou a circunstância”, afirmou, ao mencionar possíveis casos na Unesp de São José.
Nesta segunda-feira, um ato contra assédios e abusos sexuais está marcado na Unesp. Uma nova denúncia envolvendo episódios de abuso dentro da Unesp de São José. Esta é a segunda denúncia nesta semana.
O caso gerou repercussão dentro da comunidade acadêmica. A Associação Atlética Acadêmica Cervantes Jardim divulgou nota de repúdio e cobrou medidas efetivas por parte da universidade.
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Aluna denuncia professor por estupro
A denúncia é um desdobramento de uma série de relatos feitos pela estudante, que afirma ter tido o sonho de se formar em odontologia interrompido após o episódio, ocorrido em 2023, quando ela tinha 18 anos. Na época, Carolina morava em Taubaté e estudava na unidade da Unesp em São José.
Segundo a jovem, o estupro teria ocorrido após ela aceitar uma carona oferecida por um professor na saída da faculdade. Após o episódio, ela relata que passou a sofrer ameaças frequentes dentro do ambiente universitário.
“Durante o tempo que fiquei na faculdade, várias vezes ele cruzou comigo e me ameaçou. Chegou a mostrar fotos da minha família no celular dele, dizendo que sabia quem eram e que, se eu falasse alguma coisa, teria consequências”, afirmou.
'Chegou um momento em que eu não conseguia entrar na faculdade'
Carolina afirma que a violência teve impacto profundo em sua saúde física e emocional. “Meu cérebro bloqueou memórias, transformando tudo em fragmentos confusos. Enquanto isso, meu corpo respondia com desmaios, sangramentos e sintomas sem explicação”, disse.
Apesar das dificuldades, ela tentou continuar frequentando a universidade, mas afirma que o ambiente se tornou insustentável. “Chegou um ponto em que eu não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise. Foi quando tranquei minha matrícula e contei aos meus pais”, relatou.
Sem condições emocionais de formalizar uma denúncia naquele momento, Carolina afirma que decidiu abandonar o curso e abrir mão da carreira que sonhava seguir. “Abri mão de tudo. Eu estava em choque, com medo, tentando apenas sobreviver”, declarou.
A Unesp enviou uma nota oficial a OVALE, em que "manifesta seu firme repúdio a qualquer forma de assédio no ambiente universitário e reafirma seu compromisso com a promoção de um espaço acadêmico seguro, respeitoso e acolhedor para toda a comunidade".
Veja abaixo íntegra da nota da Unesp
"A Direção do Instituto de Ciência e Tecnologia, câmpus de São José dos Campos da Unesp, manifesta seu firme repúdio a qualquer forma de assédio no ambiente universitário e reafirma seu compromisso com a promoção de um espaço acadêmico seguro, respeitoso e acolhedor para toda a comunidade. Solidarizamo-nos com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de desrespeito. Reforçamos que a Universidade dispõe de canais institucionais adequados para acolhimento, orientação e encaminhamento dessas ocorrências. As denúncias podem ser formalizadas por meio de canais oficiais, que asseguram o tratamento responsável, com sigilo, imparcialidade e possibilidade de anonimato, bem como o devido acompanhamento dos casos:
Ouvidoria Geral da Unesp: https://sistemas.unesp.br/ouvidoria/pages/externo/manifestacao.xhtml?idUnidade=1
Ouvidoria Local: https://sistemas.unesp.br/ouvidoria/pages/externo/manifestacao.xhtml?idUnidade=30
Direção da Unidade: diretor.ict@unesp.br
"Ressaltamos que todos os casos devidamente denunciados são e sempre serão rigorosamente apurados, em conformidade com as normas institucionais e a legislação vigente, com a adoção das providências cabíveis. Destacamos, ainda, que o ambiente universitário conta com medidas permanentes de segurança, incluindo controle de acesso com reconhecimento facial, presença de agentes de portaria e vigilância, além de sistema de monitoramento por câmeras, visando à proteção de todos que circulam na Instituição.
A Universidade também disponibiliza suporte por meio do Programa Acolhe Unesp (https://www2.unesp.br/portal#!/ouvidoria_ses/acolhe-unesp24870/) e, no âmbito do ICT/CSJC, a Seção Técnica de Saúde conta com profissionais capacitados para acolhimento presencial. Reiteramos nosso compromisso com a integridade, o respeito mútuo e a convivência ética. Permanecemos à disposição para acolher, orientar e agir com responsabilidade sempre que necessário", diz a nota.