NOVA CRISE

Vereadores do PL cobram partido por falta de direção e gestão

Por Redação |
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Divulgação
Bancada eleita pelo PL conta com seis vereadores e é a maior na atual legislatura da Câmara
Bancada eleita pelo PL conta com seis vereadores e é a maior na atual legislatura da Câmara

A crise interna instalada no Partido Liberal (PL) de Jundiaí se agravou após vereadores da sigla criticarem a condução do diretório municipal. Os parlamentares alegam falta de cumprimento de acordos previamente estabelecidos, ausência de direção clara e o descumprimento de compromissos assumidos por representantes partidários. Os fatos teriam provocado um distanciamento entre os seis vereadores eleitos e a direção local do partido.

O vereador Leandro Basson, líder do PL na Câmara Municipal, afirmou que há um desalinhamento com a atual direção do diretório municipal, destacando que os parlamentares eleitos são os principais responsáveis por dar sustentação política e institucional à sigla na cidade.

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“O PL de Jundiaí se materializa na atuação desses seis vereadores, que exercem mandato conferido pela população. Seguimos unidos e firmes no nosso trabalho, com independência, responsabilidade e compromisso com os valores do PL e, sobretudo, com a população de Jundiaí”, declarou Basson.

Segundo ele, apesar do conflito com a executiva partidária, a bancada permanece unida e focada no exercício do mandato, na defesa dos interesses do município e no respeito à vontade popular expressa nas urnas.
O vereador Rodrigo Albino foi mais enfático ao comentar a situação e mencionou novamente que negocia sua saída do partido. Embora tenha reafirmado sua ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com a direita, Albino afirmou que sua identificação ideológica não está condicionada a uma única sigla.

“A direita é sobre um modelo de gestão e convicções pessoais, não sobre um único partido. Sou grato a oportunidade que tive de sair candidato pelo PL, mas o partido em Jundiaí está utilizando o legado do Bolsonaro para angariar votos e está mais preocupado com projetos pessoais do que com um projeto de nação”, afirmou.

Albino também relembrou episódios da campanha eleitoral que, segundo ele, já indicavam problemas internos, como o isolamento de seu pai, o ex-presidente da Câmara e candidato a vice-prefeito nas últimas eleições, Antonio Carlos Albino, e a centralização de decisões em torno do ex-prefeito Luiz Fernando Machado. “Isso me incomodava, mas aceitei calado”, disse. “Ao não cumprirem um acordo de que (Antonio Carlos) Albino seria o candidato a deputado pelo PL, vi que o projeto do partido era pessoal e que não cumpriam seus acordos políticos”, concluiu, ressaltando que o PL de Jundiaí não o representa mais.

Já o vereador Madson Henrique relatou que sua relação com o partido está rompida desde janeiro de 2025, após a eleição para a presidência da Câmara Municipal. Segundo ele, desde então, o diálogo com o presidente do diretório praticamente deixou de existir.

“A bancada está unida em prol da cidade e das pautas que defendemos, como o conservadorismo, defesa da mulher, segurança pública, causa animal, entre outras. Sempre estive nas ruas, participando de manifestações e campanhas, e nunca precisei de partido para isso”, afirmou.

Na mesma linha, o vereador Tiago Elion disse que sua ruptura com o PL ocorreu desde o início do mandato. De acordo com ele, os vereadores passaram a ser tratados como “traidores” por priorizarem os interesses da população em detrimento de decisões partidárias.

“A gota d’água foi o movimento de dizer que eles representam o PL, quando, na verdade, os escolhidos pela população somos nós, vereadores. Caminho de forma independente, com raízes nos valores que acredito serem bons para o Brasil, mas com foco em entregar resultados para Jundiaí”, declarou.

A vereadora Quézia de Lucca disse não estar rompida com o partido e continua defendendo os valores e princípios de direita e da família. “Porém, não concordo em utilizar o partido para destaque próprio e não cuidar do mais valioso, que são as pessoas, o grupo e a bancada e infelizmente é isso que vem acontecendo”, disse. Ela relatou que recentemente teve um problema ao optar não sair como deputada estadual na próxima eleição, para se dedicar à própria família, em especial ao pai, e à cidade. “Em geral, a bancada do PL ficou sem apoio e direção do diretório da cidade. Mas nós, vereadores eleitos pelo povo, estamos juntos e unidos pelo propósito, que é o bem das pessoas e a defesa dos valores em Jundiaí”, concluiu.

O vereador João Victor foi procurado via assessoria, mas preferiu não se manifestar.

Em resposta às críticas, o presidente do PL de Jundiaí, Adilson Rosa, negou que haja rompimento com os parlamentares e afirmou que o partido mantém diálogo com a bancada.

“Não estamos rompidos com ninguém. O PL administrou a cidade na gestão Luiz Fernando Machado, tem projeto para a eleição de 2026, com candidaturas locais a deputado estadual e federal, e segue como oposição à atual gestão municipal com coerência no posicionamento. Entendemos a liberdade no exercício do mandato e temos mantido conversas com os vereadores por meio da executiva e das lideranças locais”, afirmou.

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