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Receita Federal usa cartões para flagrar renda não declarada

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
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As informações chegam à Receita por meio da DECRED, declaração enviada regularmente pelas administradoras de cartão de crédito.
As informações chegam à Receita por meio da DECRED, declaração enviada regularmente pelas administradoras de cartão de crédito.

O cartão de crédito deixou de ser apenas um meio de pagamento e passou a ocupar papel central na fiscalização tributária. Com o avanço do cruzamento de dados e o uso de sistemas automatizados, a Receita Federal intensificou o monitoramento de despesas para identificar contribuintes cujo padrão de consumo não condiz com a renda declarada.

A medida faz parte de um processo mais amplo de digitalização do controle fiscal, que busca reduzir a evasão e ampliar a eficiência na detecção de inconsistências.

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Cartões entram no radar do Fisco

As informações chegam à Receita por meio da DECRED, declaração enviada regularmente pelas administradoras de cartão de crédito. Sempre que os gastos ultrapassam determinados valores, os dados são compartilhados automaticamente com o Fisco, sem necessidade de comunicação prévia ao titular.

A partir daí, o sistema passa a analisar o volume de despesas em conjunto com outras informações financeiras associadas ao mesmo CPF ou CNPJ.

Gastos elevados acendem alertas automáticos

O foco da fiscalização não está em compras isoladas, mas em despesas mensais recorrentes acima do padrão esperado. Hoje, os principais parâmetros utilizados incluem:

  • Pessoa física: gastos acima de R$ 5 mil por mês, somando todos os cartões;
  • Pessoa jurídica: despesas superiores a R$ 30 mil mensais informadas pelas operadoras;
  • Unificação por CPF: valores de diferentes cartões são consolidados em uma única análise;

Quando esses limites são superados de forma contínua, o sistema identifica possível incompatibilidade entre renda e consumo.

Por que gastar mais do que declara gera problemas

A Receita Federal adota o conceito de sinais exteriores de riqueza, que considera o padrão de vida como indicativo da real capacidade financeira do contribuinte. Se os gastos sugerem renda maior do que a oficialmente informada, o sistema presume a existência de recursos não declarados.

Nesses casos, o CPF pode ser selecionado para análise mais aprofundada, com risco de cair na malha fina. Se a origem do dinheiro não for comprovada, os valores podem ser enquadrados como renda tributável, com cobrança de imposto e aplicação de multas.

Outras movimentações também são analisadas

O controle vai além das faturas de cartão. A Receita cruza diversas bases de dados para reforçar o mapeamento financeiro, incluindo:

  • Transferências via Pix, especialmente entradas frequentes;
  • Pagamentos de boletos, que revelam despesas fixas e padrão de consumo;
  • Investimentos e criptoativos, usados para avaliar evolução patrimonial;

O objetivo é formar um retrato mais completo da movimentação financeira de cada contribuinte.

Como reduzir riscos com a fiscalização

Especialistas apontam que a melhor estratégia é manter coerência entre renda e despesas. Gastos feitos para terceiros, como dependentes ou familiares, precisam estar corretamente informados na declaração para não serem interpretados como renda própria.

Também é recomendável guardar comprovantes de situações excepcionais, como reembolsos profissionais, empréstimos ou transferências pontuais. Em um cenário de fiscalização cada vez mais automatizada, organização e transparência seguem sendo as principais formas de evitar autuações.

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