A arte de Almeida Júnior e as diferentes representações da vida no interior paulista podem ser conhecidas de perto em Piracicaba. A exposição Caipiras: das tropas à moda de viola, instalada na Pinacoteca Municipal Miguel Dutra, reúne obras que ajudam a compreender como os costumes, os personagens e o cotidiano caipira foram retratados nas artes visuais. A entrada é gratuita, e a visitação pode ser feita até 6 de dezembro.
Entre os destaques estão seis trabalhos de Almeida Júnior (1850–1899), artista nascido em Itu que deixou uma contribuição importante para a pintura brasileira ao explorar temas regionais. O conjunto inclui O Violeiro, uma de suas telas mais conhecidas, dois estudos relacionados a Caipira Picando Fumo, a primeira versão de Amolação Interrompida, além de Retrato do Dr. Cesário Motta e Nhá Chica. A seleção permite observar diferentes aspectos da produção do pintor, cuja trajetória também está profundamente ligada à história de Piracicaba.
Realizada pela Pinacoteca de São Paulo em parceria com a Prefeitura de Piracicaba, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Pinacoteca Miguel Dutra, a mostra reúne 46 obras de 28 artistas do acervo estadual. A programação também conta com 21 trabalhos da coleção municipal, selecionados entre produções de artistas piracicabanos premiados no Salão de Belas Artes da cidade. A iniciativa integra o programa CULTSP na Estrada, que promove ações culturais em diferentes regiões paulistas.
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Arte, memória e identidade caipira

Além de apresentar pinturas importantes da arte brasileira, a exposição propõe uma reflexão sobre a maneira como o homem do campo foi representado ao longo do tempo. As obras permitem observar costumes e cenas do cotidiano rural, mas também convidam o público a refletir sobre as tensões raciais presentes na construção dessa imagem. A proposta amplia o olhar sobre a cultura caipira, considerando tanto sua presença na identidade regional quanto as interpretações feitas pelos artistas.
A história de Almeida Júnior acrescenta outra dimensão à visita. O pintor morreu em Piracicaba, em 1899, após ser assassinado por seu primo José de Almeida Sampaio, marido de Maria Laura, com quem mantinha um relacionamento secreto. Seu túmulo está no Cemitério da Saudade, onde o mausoléu do artista é preservado como patrimônio histórico. O dia de seu nascimento, 8 de maio, também marca a celebração do Dia Nacional do Artista Plástico no Brasil.
A exposição pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 9h às 17h, na Pinacoteca Municipal Miguel Dutra, localizada no Parque do Engenho Central, na avenida Maurice Allain, 454, na Vila Rezende. A entrada é gratuita, e a programação permanece em cartaz até 6 de dezembro. Informações adicionais podem ser obtidas pelo telefone (19) 3412-3770.