A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) rejeitou a iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos à Presidência e de seus familiares. A proposta foi formalizada por Lula nesta terça-feira (20), em documento encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas a equipe do senador não demonstrou disposição para aderir ao desafio.
Segundo relatos, os aliados de Flávio avaliam que a iniciativa faz parte da estratégia eleitoral do presidente e não pretendem aceitar a condição apresentada. Nos bastidores, interlocutores do senador também criticaram a postura de Lula, sob o argumento de que o petista tenta melhorar sua posição na disputa. Em vez de aderir à proposta, a campanha defende que o governo federal divulgue informações sobre os gastos realizados com o cartão corporativo.
O embate começou no debate presidencial da TV Bandeirantes, realizado no domingo (18), quando Lula desafiou o adversário a permitir a abertura dos dados pessoais e financeiros das duas famílias. A iniciativa foi apresentada pelo presidente como uma forma de esclarecer questionamentos levantados durante a campanha. A equipe petista, por sua vez, considera que a recusa do senador pode gerar desgaste eleitoral, especialmente entre os eleitores que valorizam a transparência dos candidatos.
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Proposta inclui familiares e empresas

O documento encaminhado ao TSE prevê a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas referentes aos últimos oito anos. Além de Lula, a proposta contempla a primeira-dama Janja Lula da Silva e os filhos do presidente. A condição apresentada pelo petista é que Flávio também autorize a abertura dos dados de seus familiares, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro e Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, mulher do senador.
A iniciativa também abrange pessoas jurídicas das quais os candidatos sejam sócios ou administradores, além de empresas cujas contas bancárias tenham os nomes deles como responsáveis financeiros ou usuários com acesso principal. Lula informou possuir participação em uma única empresa, a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda. No caso de Flávio, o documento menciona cinco empresas, incluindo a offshore Alcazar Holding, associada ao advogado Willer Tomaz, em uma investigação que aponta possível acesso operacional relevante do senador a uma conta bancária vinculada à companhia.
A campanha de Lula defende que os dados sejam disponibilizados publicamente na internet, inclusive por meio de plataformas eleitorais, para permitir que os eleitores consultem as informações antes da votação. O documento estabelece como objetivo a divulgação anterior à quarta-feira (21), mas o protocolo no TSE não representa, por si só, a efetivação da abertura dos sigilos. A medida depende dos procedimentos jurídicos aplicáveis e do cumprimento das condições previstas na proposta, enquanto os aliados de Flávio mantêm a resistência e direcionam a cobrança ao detalhamento das despesas do cartão corporativo federal.