TECNOLOGIA

IA na medicina: quem responde quando a tecnologia erra?

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Especialista em Direito Médico, Dr. Pimenta Jr. alerta para os cuidados jurídicos no uso da inteligência artificial.
Especialista em Direito Médico, Dr. Pimenta Jr. alerta para os cuidados jurídicos no uso da inteligência artificial.

A inteligência artificial está cada vez mais presente na área da saúde e pode ser utilizada como apoio em diagnósticos e decisões médicas. Mas, quando uma ferramenta contribui para uma decisão equivocada e há dano ao paciente, surge a dúvida sobre quem deve responder pelo ocorrido.

Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, o advogado Dr. José Luiz Barbosa Pimenta Jr., especialista em Direito Médico e da Saúde, doutor e mestre em Direito Público e Evolução Social, explica que a responsabilidade não é automaticamente transferida para a tecnologia. Segundo ele, o médico continua responsável pela decisão final e deve considerar as limitações do sistema utilizado.

“O médico continua sendo o responsável pela decisão final e deve utilizar a ferramenta com prudência, dentro de sua capacitação, conhecendo suas limitações e riscos”, afirma Pimenta Jr. De acordo com o especialista, cada situação precisa ser analisada individualmente, podendo envolver médicos, hospitais, clínicas e, dependendo do caso, responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia.

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Supervisão humana é essencial

Para o advogado, a inteligência artificial deve ser entendida como uma ferramenta de apoio, e não como substituta do julgamento médico. Ele destaca que estudos já identificaram omissões e informações imprecisas em conteúdos produzidos por sistemas de IA, inclusive em situações com potencial de causar danos ao paciente. Por isso, a recomendação é que o profissional revise e valide as informações antes de utilizá-las no atendimento.

“A supervisão humana permanece fundamental: cabe ao profissional compreender como a ferramenta funciona, conhecer suas limitações e saber quando desconsiderar uma informação fornecida pelo sistema”, explica. Antes de adotar uma tecnologia, médicos, clínicas e hospitais também devem avaliar sua segurança, confiabilidade e validação científica, além de estabelecer protocolos claros para utilização e acompanhamento.

Outro cuidado envolve os dados dos pacientes. Pimenta Jr. ressalta que informações médicas são consideradas dados sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e exigem atenção quando passam a ser utilizadas em ambientes digitais. O especialista também defende que o paciente seja informado previamente sobre o uso da IA durante a assistência e autorize sua utilização, preferencialmente por escrito, com o emprego da tecnologia devidamente registrado no prontuário.

“A capacitação dos profissionais, a supervisão constante e o respeito à autonomia do paciente são fundamentais”, afirma o advogado. Na avaliação dele, o avanço tecnológico não deve afastar elementos essenciais da prática médica, como escuta, experiência, acolhimento e humanização.

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