INVESTIGAÇÃO

Vorcaro procurou Moraes antes de ser preso a caminho de Dubai

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Mensagens apreendidas pela PF mostram que Daniel Vorcaro buscou informações sobre uma possível prisão dois dias antes de ser detido ao tentar viajar para Dubai.
Mensagens apreendidas pela PF mostram que Daniel Vorcaro buscou informações sobre uma possível prisão dois dias antes de ser detido ao tentar viajar para Dubai.

A Polícia Federal encontrou mensagens que indicam que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, procurou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para saber se corria risco de ser preso e se deveria deixar o Brasil. O contato ocorreu em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de o empresário ser detido enquanto tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.

Segundo o material obtido pela PF, Vorcaro demonstrava preocupação com uma possível ordem de prisão e buscava informações sobre quando ela poderia ocorrer. Nas mensagens, ele também questionava se a medida partiria novamente do juiz Ricardo e perguntava se Gabriel Galípolo, então presidente do Banco Central, tinha conhecimento da situação. O empresário ainda buscava saber se seria possível tomar alguma providência.

No dia seguinte, Vorcaro voltou a procurar Moraes para questionar sobre a possibilidade de uma prisão ocorrer na manhã seguinte. A PF, porém, não conseguiu recuperar as eventuais respostas do ministro. De acordo com a investigação, as conversas eram registradas por meio de capturas de tela de textos escritos no aplicativo de notas do celular e encaminhadas em mensagens com visualização única.

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Caso amplia pressão sobre Moraes

A revelação das mensagens ocorre em meio a outros questionamentos levantados durante a investigação sobre o Banco Master. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, passou a avaliar o apoio existente entre os integrantes da Corte para uma eventual investigação sobre Moraes diante de indícios relacionados à atuação do ministro no episódio.

Entre os pontos considerados por Mendonça estão informações de que Moraes teria procurado o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em favor de medidas de proteção para Vorcaro. Também entrou no radar a informação de que o ministro teria participado da edição da versão final de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

A eventual abertura de uma investigação contra um ministro do STF, contudo, não ocorre de forma automática. Para que uma apuração desse tipo seja instaurada pela própria Corte, é necessária maioria dos ministros. Até o momento, as mensagens divulgadas pela PF mostram a iniciativa de Vorcaro em buscar informações sobre uma possível prisão, mas não permitem concluir, por si só, qual teria sido a resposta de Moraes ou se o ministro tomou alguma medida em favor do empresário.

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