A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o magistrado foi consultado antes da assinatura de um contrato entre seu escritório e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O acordo previa o pagamento de R$ 131 milhões ao longo de três anos, conforme informações divulgadas sobre o documento. Em manifestação, Viviane afirmou que a consulta ocorreu por meio do setor de compliance de seu escritório, para verificar se havia algum impedimento legal relacionado à contratação.
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O que diz a advogada
Segundo Viviane, a análise foi feita antes da assinatura do contrato e buscava verificar se o fato de ela ser esposa de um ministro do STF impediria a prestação dos serviços ao banco.
A advogada declarou que não foi identificado impedimento legal e que o contrato não previa atuação em processos no Supremo. Ela também afirmou que Alexandre de Moraes nunca teria julgado uma ação envolvendo o Banco Master.
Após essa avaliação, o contrato foi assinado e os serviços jurídicos começaram a ser prestados, segundo a manifestação.
Documento foi editado por perfil atribuído a Moraes
Informações encontradas nos metadados do arquivo do contrato indicam que uma das alterações no documento foi feita por um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes".
Os dados foram divulgados inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo. Os metadados registram informações como data, horário e identificação do usuário responsável por modificações realizadas em um arquivo digital.
Segundo os dados analisados, uma edição teria sido feita às 23h04 de 15 de janeiro de 2024. O registro ocorreu aproximadamente uma hora e 40 minutos depois de Vorcaro ter recebido o documento por WhatsApp.
O material também aponta Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório de Viviane, como autor do documento.
Como ocorreu a troca da minuta
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que uma minuta do contrato foi enviada por Viviane a Vorcaro em 17 de janeiro de 2024.
Na conversa, a advogada encaminhou o documento e perguntou sobre a assinatura. O banqueiro respondeu questionando como deveria ser feito o procedimento.
O contrato previa pagamentos de R$ 3,6 milhões por mês durante 36 meses, com início previsto para 2024.
Contrato e serviços prestados
O acordo estabelecia uma atuação jurídica ampla para o Banco Master, sem limitar os serviços a um único processo.
Em março de 2026, o escritório de Viviane informou que, durante o período de vigência do contrato, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, foram produzidos 36 pareceres jurídicos e realizadas 94 reuniões de trabalho com integrantes do banco.
De acordo com o escritório, os serviços incluíam análise de documentos e discussões sobre questões jurídicas relacionadas à instituição.
Um dos casos em que Viviane atuou foi uma queixa-crime apresentada em abril de 2024 por Vorcaro e pelo Banco Master contra o investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital.
Pagamentos foram interrompidos
Os pagamentos previstos no contrato foram interrompidos após a primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025.
O empresário foi posteriormente solto e voltou a ser preso em março de 2026.
Parte dos pagamentos realizados pelo Banco Master ao escritório consta em documentos de declaração de imposto de renda da instituição encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Senado.
Mendonça pede manifestação da PGR
A relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro também passou a ser analisada em outra frente da investigação.
O ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no STF, encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório da Polícia Federal com informações sobre mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.
Mendonça deu prazo de cinco dias para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifeste sobre o material.
A solicitação foi publicada pelo Metrópoles e posteriormente confirmada pela coluna de Malu Gaspar. Procurados, os envolvidos não se manifestaram.
Mensagens citadas pela investigação
O relatório da Polícia Federal foi elaborado a partir de mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
Em uma das conversas, o banqueiro menciona a necessidade de ajuda de pessoas identificadas como "Andrei" e "Paulo". A investigação aponta que as referências seriam ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em outra mensagem, enviada a Moraes antes da prisão de Vorcaro, o banqueiro teria pedido que uma operação fosse adiada.
Segundo informações divulgadas pelo Estadão e pela coluna de Malu Gaspar, Vorcaro escreveu ao ministro solicitando que Andrei tentasse postergar a ação policial.
Um dia antes, também teria enviado uma mensagem a Moraes questionando se seria possível reverter a situação com Paulo ou Andrei.
Prisão de Vorcaro
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, ele foi detido por volta das 22h, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, com escala em Malta.
Posteriormente, Vorcaro foi solto e voltou a ser preso em março de 2026.