Criminosos estão usando informações públicas de processos judiciais para aplicar o chamado golpe do falso advogado. Na fraude, os golpistas se passam por advogados ou representantes de escritórios e entram em contato com as vítimas por WhatsApp ou telefone para informar sobre supostas liberações de valores.
A abordagem costuma incluir a solicitação de um pagamento antecipado para que uma indenização ou outro valor relacionado ao processo seja liberado. Os criminosos geralmente pedem transferências via Pix e apresentam justificativas para dar aparência de legalidade à cobrança.
O Jornal de Piracicaba conversou com a advogada Roberta Maciel, que explicou como os golpistas conseguem obter informações sobre os processos e quais cuidados podem ajudar a evitar a fraude.
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Como os criminosos conseguem os dados?
Segundo Roberta, os golpistas podem utilizar informações disponíveis na internet para construir uma abordagem direcionada à vítima. Grande parte dos processos judiciais no Brasil permite consulta pública de dados, como nome das partes, advogados responsáveis, número do processo, assunto da ação e movimentações processuais.
Com essas informações, os criminosos conseguem apresentar detalhes reais durante o contato e criar uma história relacionada ao processo da vítima.
As imagens utilizadas pelos golpistas também podem ser obtidas na internet. "Na maioria dos casos, as fotografias são retiradas das redes sociais públicas ou até mesmo do site do escritório. Basta que o perfil esteja aberto para que qualquer pessoa consiga copiar a imagem e utilizá-la em aplicativos de mensagens", explica Roberta.
Como o golpe acontece?
A abordagem geralmente começa com uma mensagem ou ligação informando que houve uma decisão favorável ou que determinado valor foi liberado no processo.
Na sequência, o criminoso afirma que existe uma pendência que precisa ser resolvida antes que o dinheiro seja depositado. É nesse momento que surge o pedido de pagamento.
Entre as justificativas apresentadas pelos golpistas estão:
pagamento de custas judiciais;
emissão de guia;
recolhimento de imposto;
taxa para liberação de alvará;
depósito antecipado;
transferência por Pix.
De acordo com a advogada, essas cobranças fazem parte da estratégia utilizada para convencer a vítima a transferir dinheiro antes de receber um suposto valor do processo.
Pedido de urgência deve servir como alerta
Os criminosos podem utilizar dados reais para tornar a abordagem mais convincente. Por isso, mesmo que a mensagem apresente o número correto do processo, o nome do advogado ou informações sobre uma ação judicial, é necessário confirmar a identidade de quem está fazendo o contato.
Roberta orienta que a vítima não faça pagamentos para supostamente liberar valores judiciais e desconfie de mensagens inesperadas, principalmente quando houver pressão para realizar uma transferência com urgência ou pedido para que a conversa seja mantida em sigilo.
A recomendação é entrar em contato diretamente com o advogado ou escritório responsável pelo processo antes de fornecer informações pessoais ou bancárias e antes de realizar qualquer pagamento.
Como evitar o golpe?
Para reduzir o risco de cair na fraude, a orientação é utilizar apenas os canais oficiais de comunicação já conhecidos do advogado ou escritório. O número enviado na mensagem recebida não deve ser utilizado para confirmar a solicitação.
Também é importante não fornecer dados pessoais, informações bancárias, senhas ou códigos recebidos por SMS e aplicativos de mensagens sem confirmar a identidade do solicitante.
"Procure imediatamente o advogado ou o escritório que você contratou antes de fornecer qualquer dado pessoal, bancário ou realizar qualquer pagamento", orienta Roberta.
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