As plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, retiraram cerca de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, segundo levantamento divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef).
O estudo também revela que essas empresas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix ao longo do ano, evidenciando o crescimento do mercado de apostas no Brasil após a regulamentação do setor.
Pix impulsionou o avanço das apostas
De acordo com o levantamento, a obrigatoriedade de cadastramento das empresas de apostas, implantada em janeiro de 2025, coincidiu com um aumento expressivo das transferências feitas por pessoas físicas para empresas dos setores de esporte, cultura, lazer e entretenimento.
Os pesquisadores identificaram que, a partir desse período, o volume de dinheiro enviado pelos apostadores cresceu muito acima dos valores devolvidos em forma de prêmios, indicando uma concentração significativa de recursos nas plataformas.
O valor de R$ 62,5 bilhões representa a diferença entre tudo o que foi apostado e o montante pago aos jogadores vencedores.
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Impacto no orçamento das famílias
Segundo o boletim, o prejuízo líquido corresponde a aproximadamente 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, mostrando que as apostas online passaram a influenciar diretamente a situação financeira dos brasileiros.
Os autores destacam ainda que, até meados de 2024, os pagamentos e devoluções entre consumidores e empresas do setor apresentavam comportamento semelhante. No entanto, em 2025, as transferências para as bets dispararam, enquanto os valores devolvidos cresceram em ritmo muito menor.
Para os responsáveis pelo estudo, esse comportamento é característico do mercado de apostas, no qual apenas uma pequena parcela do dinheiro retorna aos jogadores.
Mercado ilegal amplia diferença
O levantamento aponta números superiores aos divulgados pelo Ministério da Fazenda, que estimou em R$ 36,9 bilhões a receita das casas de apostas autorizadas no país em 2025.
A diferença pode ser explicada pela atuação de plataformas clandestinas. Um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) estima que o mercado ilegal represente entre 41% e 51% de todas as apostas realizadas no Brasil.
Famílias de baixa renda preocupam especialistas
Outro dado observado pelo estudo foi a desaceleração das transações após a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, implementada em outubro de 2025.
Segundo os pesquisadores, esse efeito sugere que famílias de menor renda possuem participação relevante no mercado de apostas esportivas online.
O relatório conclui que, somados ao elevado endividamento e ao comprometimento da renda das famílias, os dados reforçam o cenário de vulnerabilidade financeira enfrentado por parte da população brasileira.