AGOSTO LILÁS

Violações contra mulheres crescem 40% em Piracicaba

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/RD News
Mesmo com 596 violações registradas em Piracicaba neste ano, apenas 97 denúncias foram formalizadas até julho.
Mesmo com 596 violações registradas em Piracicaba neste ano, apenas 97 denúncias foram formalizadas até julho.

Piracicaba registrou um aumento de 40,2% nas violações de direitos contra mulheres entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que foram contabilizadas 596 violações, contra 425 nos sete primeiros meses de 2025. Os registros englobam diferentes formas de violência e violações de direitos, como agressões físicas e psicológicas, maus-tratos, exploração sexual, tráfico de pessoas e outras ocorrências.

Apesar do avanço dos registros, o número de denúncias formalizadas permanece inferior ao total de violações. Entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 97 denúncias, que resultaram em 75 protocolos de atendimento pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos. No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizadas 88 denúncias e 65 protocolos.

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Os dados ganham ainda mais destaque durante o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A mobilização faz referência ao mês em que foi sancionada a Lei Maria da Penha, principal instrumento de combate à violência doméstica e familiar no Brasil, que completa 20 anos em 2026.

Para a advogada e professora Thais Progete, o crescimento dos casos reforça a necessidade de ampliar o acesso das vítimas à informação, aos canais de denúncia e aos serviços de proteção. Segundo ela, a violência contra a mulher provoca impactos na saúde física e mental, além de comprometer a autonomia, a segurança e a qualidade de vida das vítimas.

O cenário observado em Piracicaba acompanha a tendência estadual. Em São Paulo, foram registradas 64.957 violações de direitos contra mulheres entre janeiro e julho de 2026, alta de 19,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizadas 54.443 ocorrências.

Como pedir ajuda

Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por diferentes canais:

  • 190 – Polícia Militar, para casos de emergência ou risco iminente;
  • Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, com atendimento gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia;
  • Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) – Em Piracicaba, a unidade especializada fica na Rua Alferes José Caetano, 1.018, Centro. Também é possível registrar boletins de ocorrência e solicitar medidas protetivas pela Delegacia Eletrônica;
  • Disque 100 – Canal para denúncias de violações de direitos humanos.

Além dos serviços públicos, a população também pode recorrer ao Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) da Faculdade Anhanguera de Piracicaba, que oferece atendimento jurídico gratuito nas áreas cível e criminal. O serviço é realizado por estudantes do curso de Direito, supervisionados por professores e advogados, com orientação e apoio na defesa de direitos. Os atendimentos ocorrem às segundas e quintas-feiras, das 8h às 11h e das 14h às 17h, além do período noturno, de segunda a sexta-feira, das 19h às 22h. Os agendamentos podem ser feitos pelo WhatsApp (19) 2533-9119, de segunda a sexta-feira, das 14h às 21h. O NPJ está localizado na Rua Santa Catarina, 1.005, no bairro Água Branca.

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