Piracicaba registrou um aumento de 40,2% nas violações de direitos contra mulheres entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que foram contabilizadas 596 violações, contra 425 nos sete primeiros meses de 2025. Os registros englobam diferentes formas de violência e violações de direitos, como agressões físicas e psicológicas, maus-tratos, exploração sexual, tráfico de pessoas e outras ocorrências.
Apesar do avanço dos registros, o número de denúncias formalizadas permanece inferior ao total de violações. Entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 97 denúncias, que resultaram em 75 protocolos de atendimento pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos. No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizadas 88 denúncias e 65 protocolos.
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Os dados ganham ainda mais destaque durante o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A mobilização faz referência ao mês em que foi sancionada a Lei Maria da Penha, principal instrumento de combate à violência doméstica e familiar no Brasil, que completa 20 anos em 2026.
Para a advogada e professora Thais Progete, o crescimento dos casos reforça a necessidade de ampliar o acesso das vítimas à informação, aos canais de denúncia e aos serviços de proteção. Segundo ela, a violência contra a mulher provoca impactos na saúde física e mental, além de comprometer a autonomia, a segurança e a qualidade de vida das vítimas.
O cenário observado em Piracicaba acompanha a tendência estadual. Em São Paulo, foram registradas 64.957 violações de direitos contra mulheres entre janeiro e julho de 2026, alta de 19,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizadas 54.443 ocorrências.
Como pedir ajuda
Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por diferentes canais:
- 190 – Polícia Militar, para casos de emergência ou risco iminente;
- Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, com atendimento gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia;
- Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) – Em Piracicaba, a unidade especializada fica na Rua Alferes José Caetano, 1.018, Centro. Também é possível registrar boletins de ocorrência e solicitar medidas protetivas pela Delegacia Eletrônica;
- Disque 100 – Canal para denúncias de violações de direitos humanos.
Além dos serviços públicos, a população também pode recorrer ao Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) da Faculdade Anhanguera de Piracicaba, que oferece atendimento jurídico gratuito nas áreas cível e criminal. O serviço é realizado por estudantes do curso de Direito, supervisionados por professores e advogados, com orientação e apoio na defesa de direitos. Os atendimentos ocorrem às segundas e quintas-feiras, das 8h às 11h e das 14h às 17h, além do período noturno, de segunda a sexta-feira, das 19h às 22h. Os agendamentos podem ser feitos pelo WhatsApp (19) 2533-9119, de segunda a sexta-feira, das 14h às 21h. O NPJ está localizado na Rua Santa Catarina, 1.005, no bairro Água Branca.